Duas produtoras acreanas estão entre as finalistas do Concurso Florada Premiada 2026, iniciativa nacional voltada à valorização das mulheres na produção de cafés especiais e considerado o maior concurso dao país de cafeicultoras.
Francisca Pinto, de Brasileia, e Laires Maria Nascimento das Chagas, de Cruzeiro do Sul, foram selecionadas entre as 20 finalistas nacionais da categoria Canéfora e seguem na disputa representando o Acre.
O Florada Premiada chega à 9ª edição reunindo produtoras de diferentes regiões do país. O concurso avalia a qualidade dos grãos inscritos e busca reconhecer o trabalho feminino na cafeicultura, além de ampliar a visibilidade e a valorização comercial dos cafés produzidos por mulheres.
Na categoria Canéfora, na qual estão as duas acreanas, as amostras passam por avaliação técnica e sensorial. A presença de Francisca e Laires entre as finalistas coloca cafés produzidos em duas regiões distintas do Acre — o Alto Acre e o Vale do Juruá — na etapa nacional da competição.
Francisca Pinto é produtora no município de Brasileia e vive na Reserva Extrativista Chico Mendes. Ela contou que recebeu a notícia da classificação logo nas primeiras horas do dia e se emocionou ao descobrir que estava entre as finalistas.

“Foi muito emocionante. A primeira coisa que fiquei sabendo ao levantar da minha cama foi essa notícia. Fui pegar o celular e minha nora tinha me repassado. Fiquei até emocionada, porque é muito bom saber uma notícia dessas”, relatou.
Para Francisca, além da atividade econômica, a produção de café representa uma alternativa que pode ser conciliada com a preservação da área onde vive. Segundo ela, a família procura desenvolver a produção utilizando uma área reduzida.
“A gente zela muito por não querer desmatar onde mora. E o café é um dos elementos que a gente pode implantar na reserva. Por motivos da produção, não ocupa muita terra no desmate. Em pouca terra a gente produz três, quatro hectares. É muito bom, muito gratificante trabalhar com café”, afirmou.
A produtora explicou ainda que preparou o café seguindo os conhecimentos adquiridos durante o desenvolvimento da atividade e decidiu encaminhar uma amostra ao concurso, mas sem a expectativa de chegar à fase nacional.
“A gente preparou o café do jeito que recebeu os ensinamentos e mandou para o concurso. A gente não estava nem esperando. Mas aconteceu, graças a Deus, deu certo. Até agora está dando certo e é muito bom receber uma notícia tão boa dessa”, disse Francisca.
A segunda representante do Acre é Laires Maria Nascimento das Chagas, de Cruzeiro do Sul. Ela também comemorou o resultado e afirmou estar preparada para representar o estado na final.

“Eu recebi essa notificação com muita alegria e gratidão. É muito bom quando nosso trabalho é valorizado. O que vocês podem esperar de mim é que eu estou pronta para participar da final e representar nosso querido Acre”, declarou.
A classificação das duas produtoras também foi destacada por Michelma Lima, engenheira agrônoma e coordenadora da cadeia produtiva do café na Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Em publicação oficial recente, o governo do Acre também a identifica como responsável pela coordenação do Núcleo de Cafeicultura da pasta.
Para Michelma, o resultado obtido por Francisca e Laires demonstra o espaço que a produção acreana vem conquistando em competições nacionais.
“Ter duas produtoras acreanas entre as finalistas nacionais do Florada é motivo de muita satisfação para todos nós. É um concurso de alto nível, com cafés de várias regiões do Brasil e uma nota de corte bastante exigente. Então, esse resultado demonstra a qualidade que a cafeicultura do Acre vem alcançando”, afirmou.
A coordenadora destacou ainda que as duas finalistas são de regiões diferentes do estado e avaliou que a classificação também evidencia a participação feminina na produção de cafés de qualidade.
“A Francisca, de Brasileia, e a Laires, de Cruzeiro do Sul, representam duas regiões importantes do nosso estado e mostram a força das mulheres na produção do café de qualidade. Essa participação dá visibilidade aos nossos cafés, às nossas produtoras”, ressaltou.
Michelma acrescentou que a participação no concurso pode contribuir para projetar nacionalmente os robustas amazônicos produzidos no estado.
“Para o setor, essa participação dá visibilidade aos nossos robustas amazônicos, valoriza o trabalho das produtoras e fortalece cada vez mais o nome do nosso estado no cenário nacional dos cafés especiais”, completou.
De acordo com as regras do Florada Premiada, a edição de 2026 contempla as categorias Arábica Via Úmida, Arábica Via Seca e Canéfora, com avaliação de cafés especiais produzidos por mulheres. A premiação total ultrapassa R$ 150 mil.
Com a classificação, Francisca Pinto e Laires Maria Nascimento das Chagas seguem para as próximas avaliações do concurso. A segunda etapa de análise, degustação e classificação está prevista para ocorrer entre os dias 24 e 30 de outubro, enquanto a divulgação do resultado e a cerimônia de premiação estão programadas para 13 de novembro, durante a Semana Internacional do Café, realizada anualmente em Belo Horizonte (MG).
A presença das duas acreanas entre as finalistas nacionais amplia a participação do Acre no Florada Premiada e coloca cafés produzidos em Brasileia e Cruzeiro do Sul na disputa nacional voltada à qualidade dos grãos e ao protagonismo feminino na cafeicultura.









