
O novo episódio do podcast do Portal Acre, o Um “Dedin” de Prosa, recebeu nesta quarta-feira, 1, o secretário estadual de Educação, Aberson Carvalho. Os apresentadores Leônidas Badaró e Fredson Carvalho conversaram com o gestor da pasta sobre o cenário da educação no estado, os principais projetos implementados nas escolas e o acesso à educação em comunidades mais afastadas.
Um dos pontos destacados durante a conversa foi referente ao levantamento divulgado no mês de agosto pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e que mostra que o Acre ocupa a 27ª posição no ranking dos estados com melhores indicadores de educação do país em 2025, sendo, portanto, o último, na lista.
De acordo com o levantamento, o Acre caiu uma posição em relação à edição de 2024.
Segundo o secretário, o CLP é uma instituição que olha a educação com uma perspectiva de oportunidades e que os últimos colocados na lista são os estados que carecem de desenvolvimento de infraestrutura.
“Quando você observa o ranking, os piores são da Amazônia, em sequência são do Nordeste. Então, quando se observa os 10 últimos colocados estão todos na Amazônia e no Nordeste. Por que será? São os lugares que ainda não tem o desenvolvimento de infraestrutura. São os lugares que é uma realidade completamente diferentes dos grandes centros. Por exemplo, 30% da população da educação do Acre está direcionada no campo. A equidade do campo não é uma equidade do urbano. E quando se coloca tudo na balança, óbvio que o número vai ser um número reduzido”, declarou.
Aberson citou como exemplos os estados do Amapá e de Roraima, que estão em posições melhores do que o Acre no ranking, mas que não possuem a mesma quantidade de municípios que o estado acreano.
“O Amapá está melhor que o Acre, mas quantos municípios tem?. Mas vê se lá tem educação descentralizada como fazemos aqui. Quando você vai para Roraima, quantos municípios tem? 14. E isso tudo tem que ser levado em conta. Falo assim, e não é defendendo, mas para mim o sistema de avaliação para medir a educação é o conhecimento. Se nós formos discutir estrutura, precisamos reparar historicamente a nossa sociedade”, afirmou.
Conforme o secretário, o Acre possui as melhores notas da região Norte no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) do Ministério da Educação (MEC) em Língua Portuguesa e Matemática.
“Está entre as dez melhores do Brasil. Então, não é algo que possamos dizer assim: Olha, o Acre está ruim. Não, o Acre está bem. O que ainda precisamos melhorar muito é nas condições de ter um ramal, de ter energia, de ter água potável. Eu tenho 140 escolas que não possuem água potável, que têm poço ou, muitas vezes, a água é do açude. É uma realidade que não é de agora dessa gestão, mas é uma realidade de sempre, mas termos a melhor nota do Norte mostra que estamos no caminho certo”, disse.
O secretário complementou citando a necessidade dos investimentos em educação levarem em conta a realidade amazônida. “Vamos supor que eu elaboro políticas públicas em Brasília e não conheço a realidade dos estados, não têm água tratada nessas vilas, no campo. Você vai em qualquer lugar da zona rural de São Paulo, tem água tratada 24 horas. O sofrimento deles não é o mesmo que o nosso”, acrescentou.








