
A paciente Maria Antônia Gomes de Souza, de 41 anos, sofreu uma queimadura grave na panturrilha enquanto passava por uma cirurgia de redução de mama realizada no último dia 6 de novembro, na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco. A denúncia foi feita por Waldirene Ferreira Silva, familiar de Maria Antônia.
De acordo com Waldirene, a lesão chegou a necrosar e só foi percebida na manhã seguinte ao procedimento, sem que houvesse qualquer explicação imediata por parte da equipe médica ou de enfermagem.
“A Maria entrou no centro cirúrgico mais ou menos umas 17h e saiu por volta das 19h para o leito. No dia seguinte, ela precisava dar uma caminhada e quando levantei ela, vi a queimadura na perna. Ela estava com a meia de compressão e a queimadura foi na panturrilha. A meia derreteu e queimou a perna dela. Ficou uma cicatriz grande, preta, já necrosada. Então, eu chamei a equipe de enfermagem, eles vieram, olharam e saíram. Como não voltaram, fui atrás novamente, e o enfermeiro disse apenas que era uma queimadura simples”, relata.
A acompanhante rebateu e disse que a lesão era extensa e grave. Segundo ela, não houve avaliação médica e nem a realização de curativo no momento. Além disso, Waldirene afirmou também que o médico responsável pelo procedimento não apareceu para acompanhar a paciente e que teria apenas enviado a alta hospitalar por meio da enfermagem, sem retorno agendado.
“O enfermeiro me falou que eu tava colocando medo nela. Foram embora e não vieram mais fazer nada, o médico não veio visitar ela e só mandou a alta. Mandou a enfermeira entregar a alta e não mandou o retorno. O médico não foi ver o que aconteceu com ela e ninguém me explicou nada sobre o que aconteceu e nem o curativo queriam fazer”, afirma.
Com a falta de respostas e direcionamentos, Waldirene procurou a Ouvidoria da Fundhacre e abriu um protocolo para tentar solucionar a situação. Após isso, uma assistente social orientou que fosse realizado um curativo, mas, ainda assim, nenhum profissional explicou como a queimadura ocorreu.
“Sete dias depois, quando ela voltou para fazer a retirada do dreno da redução de mama, o médico disse que não sabia o que tinha acontecido, que não sabia que ela tava ferida e que iria fazer uma cirurgia plástica e que a perna ficaria perfeita”, conta.
Conforme Wladirene, o procedimento foi adiado várias vezes e, nesta quinta-feira, 27, Maria foi internada para realizar o desbridamento da área necrosada da ferida e, assim, estimular a cicatrização e prevenir infecções. Contudo, o procedimento não foi realizado pelo mesmo médico que fez a cirurgia da mama.
Segundo a acompanhante, o profissional alegou mal estar e a equipe de enfermagem informou que ele estaria de atestado, enquanto outros profissionais disseram que ele havia entrado de férias. O procedimento, segundo ela, acabou sendo realizado por um médico residente e a paciente, mesmo com a ferida extensa, recebeu alta no mesmo dia em que realizou o desbridamento.

“Então, o médico não deu nenhuma satisfação. Eu fui conversar com a equipe de residentes e disseram que não tinha nada a ver com eles, porque a paciente não era deles e que o médico que fez a cirurgia da redução é quem ia responder. Me encaminharam para o setor cirúrgico, para conversar com o enfermeiro chefe, que disse que ele tinha entrado de licença e que uma outra médica iria fazer o procedimento (desbridamento). Antes, não fomos ao posto porque, como ela estava com os drenos da cirurgia, nao dava para ela sair assim. Por isso, fizemos o curativo em casa mesmo”, detalha.
Questionada sobre o que a Fundhacre disse a respeito da situação, Waldirene conta que a instituição lhe informou que o processo administrativo, aberto na Ouvidoria, pode levar até 30 dias. Além disso, a acompanhante também solicitou o prontuário completo de Maria, mas foi informada que não seria possível acessar o documento, pois o sistema estava fora do ar.
“Estamos aguardando todos os exames. Vou entrar em contato novamente e pedir para pegar o prontuário, que é um direito dela. Eu acho que não tem nada dizendo nesse documento que houve essa queimadura, até porque mandaram ela para casa e, até agora, no momento ninguém explicou nada para nós”, comenta.
O próprio médico, de acordo com Waldirene, afirmou que a queimadura teria sido feita pela equipe de enfermagem, pois permitiu que a paciente entrasse no centro cirúrgico com a meia de compressão.
“Só disse que tinha sido culpa da equipe de enfermagem e que, um outro erro, foi que não deveriam ter deixado a Maria entrar na mesa de cirurgia com meia de compressão. Mas a meia protegeu um pouco a perna dela, porque seria pior sem ela, a ferida teria ficado maior e mais grave”, acusa.
Waldirene acrescenta ainda que suspeita que a queimadura tenha sido feita com o bisturi elétrico utilizado na cirurgia de redução de mama.

“Disseram somente que foi uma queimadura por um eletro. Suspeitamos que foi o bisturi elétrico. Que jogaram ela lá em cima ou então não colocaram os equipamentos necessários, as placas e aconteceu isso. Mas satisfação mesmo e ninguém deu”, diz.
Maria Antônia é natural de Manoel Urbano e mora há mais de 10 anos em Rio Branco. Ela trabalha como doméstica e, com apenas 15 dias concedidos pela empresa, busca afastamento pelo INSS e arca com custos de transporte para consultas, além de curativos realizados em casa, já que a lesão é extensa e requer materiais específicos, como placas e antibióticos.
Abalada emocionalmente e lidando com ansiedade, Maria informou que aguarda as respostas sobre o que aconteceu, além de aguardar o acompanhamento adequado da lesão.
A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) para obter um posicionamento e saber quais medidas serão tomadas para resolver esta situação, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue à disposição.








