
Os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), referentes a novembro de 2025 indicam uma redução significativa do desmatamento na Amazônia Legal, mas revelam que o Acre segue inserido em uma dinâmica estrutural de pressão sobre a floresta, especialmente quando analisado o acumulado dos últimos meses.
Segundo o boletim, foram detectados 120 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em novembro de 2025, uma queda de 27% em relação a novembro de 2024, quando o desmatamento somou 164 quilômetros quadrados. Apesar da retração geral, o desmate segue concentrado em alguns estados, com destaque para o Pará, responsável por 42% do total, seguido por Mato Grosso (20%), Roraima (18%), Amazonas (9%), Acre (5%), Maranhão (3%) e Rondônia (3%).
Em números absolutos, o Acre registrou 6 km² de desmatamento em novembro de 2025, mantendo o mesmo volume observado em novembro de 2024. O dado reforça um padrão recorrente no estado: ausência de picos abruptos, mas manutenção de alertas em níveis constantes, o que indica dificuldade de reversão estrutural do problema.
Bem nos rankings mensais, mas com peso no acumulado
Embora o Acre não figure entre os estados líderes em desmatamento no recorte mensal, o cenário muda quando analisado o período de agosto a novembro. No acumulado de 2025, o estado somou 182 km² de desmatamento, volume inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando alcançou 267 km², representando uma redução de cerca de 32%.
Ainda assim, o Acre aparece como o quinto estado com maior desmatamento acumulado no período, à frente de Maranhão, Rondônia, Amapá e Tocantins, o que evidencia que a pressão permanece significativa, ainda que em trajetória de queda.
No mesmo comparativo, o Pará reduziu o desmatamento de 802 km² para 348 km², o Amazonas de 276 km² para 183 km², enquanto Roraima apresentou aumento, passando de 70 km² para 104 km².
Desmatamento concentrado em áreas privadas
O boletim também detalha o perfil fundiário das áreas desmatadas. Em novembro de 2025, 72% do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse, enquanto 20% foram registrados em assentamentos, 7% em Unidades de Conservação e apenas 1% em Terras Indígenas.
Esse dado é relevante para o Acre, onde historicamente a maior pressão se concentra fora de territórios oficialmente protegidos, especialmente em regiões com fragilidade fundiária, ramais abertos e expansão agropecuária de pequena e média escala.
Acre fora do ranking de degradação em novembro
Outro dado expressivo do boletim é a queda drástica da degradação florestal na Amazônia Legal. Em novembro de 2025, foram registrados apenas 78 km² de florestas degradadas, uma redução de 97% em relação a novembro de 2024, quando a degradação atingiu 2.882 km².
Nesse recorte mensal, o Acre não apareceu entre os estados com degradação detectada, reforçando um aspecto positivo do cenário atual. A degradação concentrou-se principalmente no Pará (46 km²), Mato Grosso (18 km²) e Maranhão (9 km²).
Acumulado da degradação revela alerta silencioso
Apesar da ausência no ranking mensal, o acumulado de agosto a novembro de 2025 revela que o Acre registrou 6 km² de degradação florestal, número superior ao observado no mesmo período de 2024, quando foram detectados apenas 2 km².
Ainda que o volume seja baixo em comparação com estados como Pará (660 km²) e Mato Grosso (1.178 km²), o aumento percentual chama atenção e reforça a necessidade de monitoramento contínuo, sobretudo em áreas de transição e entorno de unidades protegidas.
Pressão difusa e desafio estrutural
O conjunto dos dados indica que o Acre não enfrenta, no momento, um cenário de explosão do desmatamento, mas vive um processo difuso, contínuo e territorialmente pulverizado, que dificulta ações pontuais de controle.
A redução observada em 2025, especialmente no acumulado do segundo semestre, aponta avanços, mas não permite falar em reversão definitiva. O risco, segundo especialistas, está no acúmulo silencioso de pequenos alertas, que não ganham destaque mensal, mas comprometem metas ambientais e climáticas ao longo do ano.
Em síntese, o Acre permanece fora do grupo mais crítico da Amazônia Legal, mas segue em uma zona de atenção permanente, onde a redução recente precisa ser consolidada com políticas públicas estruturantes, fiscalização contínua e ordenamento territorial eficaz.








