
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, decretou nesta segunda-feira, 29, situação de emergência devido ao aumento do nível do Rio Acre que está atingindo diversos bairros e deixando famílias desalojadas e desabrigadas na capital acreana.
O Rio Acre atingiu 15,37m, ao meio-dia desta segunda-feira, 26, e já impacta 135 famílias, totalizando 364 pessoas afetadas pela sua elevação.
Conforme a prefeitura, a decisão tem como objetivo estender a situação de emergência decretada em 14 de março de 2025, por mais um ano.
“E, com isso, estamos inclusive incluindo algumas ações na questão da saúde também, que nesse momento é emergencial. O decreto de 14 de março de 2025, que era por um ano, estará sendo estendido agora, através desse novo decreto, por mais um ano”, reiterou o prefeito da capital acreana.
Segundo Bocalom, a situação atual é quase inédita, com uma situação parecida alguns anos atrás, sendo esta a sexta alagação pela qual a gestão enfrenta.
“Então, a gente está cuidando e sabemos que é uma questão da natureza e que o que precisamos mesmo é continuar realizando aquele cuidado que fazemos desde 2021. A gente continua melhorando, ano após ano, sempre buscando melhorar. E, claro, o dia a dia vai nos ensinando e vamos aprendendo mais”, disse.
O prefeito de Rio Branco também destacou que, até o momento, nenhum óbito foi registrado devido a cheia. Mas reforçou o cuidado que se deve ter nesta época, principalmente para aqueles que costumam nadar no rio ou nos igarapés cheios.
“E graças a Deus nós não tivemos nenhum caso fatal ao longo desse tempo todo, dessas cinco alagações que já passamos. Estamos na sexta e esperamos não ter nenhum caso fatal também. Alguns probleminhas sempre têm, mas pedimos que nos ajudem a orientar, principalmente a juventude, que tem uma mania de, quando o igarapé sobe, todo mundo quer pular dentro do igarapé ou do Rio Acre. Isso é muito perigoso. Graças a Deus, não tivemos nenhum caso de óbito até agora, mas é perigoso, muito perigoso”, reforçou.
Bocalom também afirmou que alguns problemas estruturais, como desmoronamentos, são preocupações neste momento delicado.
“Eu estive ontem com o João Marcos, nosso secretário de Assistência Social, ali na beira do rio, no Preventório. Oito casas foram afetadas pelo deslizamento. Não adianta, a beira do Rio Acre é isso.
Então, quando falamos que nós precisamos retirar as famílias dali, quando tomamos a decisão de mexer com isso, de retirar essas famílias, ao longo do Papouco todo, a princípio fomos bem entendidos, depois fomos mal entendidos. E o que a gente precisa é que vocês, da imprensa, nos ajudem, porque não tem o que fazer ali”, comentou.
O gestor da capital acreana também fez um apelo.
“Então, o que a gente pede é que vocês nos ajudem a conscientizar aquela população e deixar de lado a politicagem perversa que, num momento difícil desse, tem aqueles que realmente vivem de botar defeito no trabalho que a gente está fazendo, um trabalho que nunca foi feito. A Defesa Civil de Rio Branco está totalmente estruturada para atender e para fazer esse trabalho. O nosso esforço é grande. Não perdemos de vista que nós temos que cuidar de gente, cuidar de pessoas. E a Prefeitura está fazendo a sua parte”, declarou.
De acordo com o coordenador de Defesa Civil Municipal, o tenente-coronel Cláudio Falcão, apesar do decreto anterior ainda estar em vigor, era necessária uma nova medida.
“Até mesmo para permanecer a situação de emergência já decretada no início. Esse tempo de um ano, para quem ainda não consegue compreender, se dá porque, às vezes, o órgão está passando por uma seca e, em seguida, por uma inundação”, explicou.
Conforme o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, a pluviometria já somou 548,8mm, sendo mais do que o dobro do esperado para todo o período.
“E isso não ocasionou apenas o desabrigamento de pessoas. Nós temos a parte estrutural da cidade abalada: crateras sendo abertas por conta da chuva, ruas que foram rompidas. Inclusive, isso tudo precisa de tempo para recuperação. É por isso que a decretação dura o tempo necessário para que essa recuperação possa acontecer”, detalhou.
Falcão acrescentou ainda. “Faz muito tempo que isso não acontecia novamente. Às vezes, a gente se perde diante de tantas alagações e inundações sucessivas. Eu comentava com o prefeito que essa é a sexta, sendo que só no ano de 2025 já é a segunda. Essa nova decretação é necessária, apesar da validade do decreto anterior, porque não é possível trabalhar com dois planos de ação dentro do mesmo decreto. Portanto, nós vamos iniciar um novo plano de trabalho, envolvendo todas as ações de abrigamento e, mais à frente, as ações de recuperação e restabelecimento do cenário”, completou.








