
Se você acha que o trabalho do fonoaudiólogo é só ensinar criança a falar “rato” em vez de “lato”, o conhecido distúrbio do “Cebolinha”, nananinanão! Prepare-se para abrir a boca (com articulação adequada) de surpresa.
Mas afinal, o que faz um fonoaudiólogo? Seriamos nós, um caçador de trava-línguas? De repente, um mago da voz? Ou, quem sabe, um especialista em bocejos bem articulados?
Na verdade, o fonoaudiólogo é o ninja da comunicação. São os profissionais que já ouviram mais “repete pra eu ver” do que qualquer professor cansado. Em resumo, o fonoaudiólogo é tipo um personal trainer da sua boca, ouvidos e garganta.
A “Fono-a-u-di-o-lo-gia” soletrando assim, parece até nome de feitiço do Harry Potter, entende mais de boca que dentista e é mais exigente com pronúncia do que professor de inglês. Entretanto, todavia, porém, o fonoaudiólogo não é “dentista da fala”, tampouco “professor de R”. Muito menos aquele que só “ensina criança a parar de falar elado, ops, errado”.
Hoje, Dia do Fonoaudiólogo, deixo aqui o registro que a Fonoaudiologia é uma ciência maravilhosa e misteriosa que atua desde os primeiros balbucios do bebê, mas que também está presente muito depois, quando o adulto precisa reaprender a falar após um AVC, quando o idoso precisa de suporte para manter a deglutição segura, ou quando algum profissional da voz precisa voltar a brilhar no palco (ou na sala de aula).
E sim, ela vai muito além da fala. Inclui voz, audição, leitura e escrita e até deglutição. Sim, engolir! Tem gente que engole do jeito errado, acredita? Tema esse, inclusive, que já passou por aqui.
Portanto, prezado leitor, se você fala, ouve, come, canta, ensina, aprende, ou simplesmente se comunica — parabéns! Você já teve, tem ou terá motivos pra passar pelas mãos de um fonoaudiólogo. Porque se tem uma coisa que esse profissional entende, é que a vida é feita de sons, silêncios, engasgos ocasionais e muita risada no meio do processo.
FONO COM HUMOR
Cenas clássicas do cotidiano fonoaudiológico:
- Sessão com criança de 4 anos:
- Fono: “Fala ‘pato’.”
- Criança: “Tato.”
- Fono: “Muito bem! Agora sem sotaque alienígena.”
- Adulto que trabalha com a voz:
- “Eu só queria cantar igual a Beyoncé, mas parece que minha voz foi atropelada por um caminhão de cigarras.”
- Pacientes de motricidade orofacial:
- “Então, fono, eu tenho mesmo que fazer esses exercícios de língua?”
- Sim. E se reclamar, ganha mais três séries de estalar de língua ao som do Upa Cavalinho, da Galinha Pintadinha.
Glossário Fonoaudiológico que ninguém pediu:
- Dislalia: Quando a língua é mais criativa que o cérebro.
- Disfagia: A arte de engasgar até com o vento.
- Disfonia: Quando sua voz vira adolescente rebelde e se recusa a colaborar.
- Afasia: Quando seu cérebro decide tirar férias da linguagem.
- Apraxia de Fala: Tipo dar ordem no GPS, mas ele não sabe onde é à esquerda.
- Gagueira (ou Disfluência): Quando as palavras jogam “stop” sozinhas no cérebro. Como se o pensamento estivesse no Wi-Fi e a fala no 3G.
Feliz Dia do Fonoaudiólogo! Que o seu, o meu e o nosso dia seja cheio de risadas, boas histórias e, claro, muitos fonemas bem articulados. Parabéns.
Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.








