
A temporada de festividades de fim de ano, como Natal, Ano Novo e confraternizações, traz à tona um turbilhão de sentimentos, e, tradicionalmente, momentos de reflexão e planejamento para o próximo ano. Todavia, o que é comumente associado à celebração, pode ser um período emocionalmente desafiador para muitas pessoas e até um “gatilho” emocional.
Em 2024, o coordenador do Programa de Mudança de Hábitos e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Arthur Danila, discutiu o termo “dezembrite”, uma síndrome que provoca alterações emocionais durante o mês de dezembro.
Ao Portal Acre, o médico pós-graduado em Psiquiatria e Saúde Mental, Moisés Menezes, explica que a expectativa coletiva de felicidade pode frustrar quem já está em sofrimento psicológico.
“É um momento de balanço da vida, de relembrar metas não alcançadas, perdas ao longo do ano, dificuldades financeiras, e também onde conflitos familiares podem se identificar, o que aumenta a sensação de fracasso ou inadequação”, disse.
Moisés alerta que pessoas que já enfrentam quadros de isolamento, depressão ou luto podem, na maioria dos casos, apresentar mudanças de comportamento. “É importante ficar atento ao isolamento, afastamento, tristeza persistente, apatia ou irritabilidade, alterações de sono, apetite, falas frequentes de desânimo, culpa ou desesperança e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas”, destacou.
O médico reforça que o acompanhamento profissional é necessário e indispensável, uma vez que um tratamento consistente e hábitos saudáveis, como exercícios físicos, contribuem para a melhora. Além disso, o apoio de amigos e familiares também é essencial. “Estar presente, perguntar genuinamente como a pessoa está se sentindo e demonstrar disponibilidade já faz grande diferença. Quando necessário, incentivar a busca por acompanhamento profissional, porque é um ato de cuidado”.
Menezes acrescenta que alguns cuidados básicos podem auxiliar no quadro emocional. “Manter uma rotina minimamente organizada, respeitar limites emocionais, reduzir cobranças internas, evitar comparações e buscar atividades que promovam o bem-estar são atitudes importantes, mas também é fundamental lembrar que não é obrigatório estar feliz o tempo todo, mas que procurar apoio faz parte do cuidado com a saúde mental”, pontuou.
Moisés diz ainda que o fim de ano não precisa ser um período de sofrimento silencioso. “Falar sobre saúde mental, acolher quem está ao nosso lado e reconhecer que nem todos vivem esse momento da mesma forma são passos essenciais para uma sociedade mais empática e saudável”.








