As prioridades nos gastos públicos no Governo do Acre têm repercutido ao longo dos últimos dias. Após o Portal Acre mostrar que o governador Gladson Camelí gastou quase R$ 84 milhões voos fretados (leia aqui), um outro gasto exorbitante reforça uma prática recorrente dentro da atual gestão: a concentração de indenizações de viagem em mãos de alguns membros do primeiro escalão, que acumulam deslocamentos para dentro e fora do Acre, enquanto áreas sensíveis da população enfrentam fila, espera e sofrimento.
Um dos dados mostra o quanto custa ao contribuinte o pagamento de diárias. A reportagem apurou que a secretária de Comunicação, Nayara Lessa, recebeu, sem contar passagens aéreas, mais de R$ 250 mil em diários ao longo dos últimos cinco anos.
O Portal da Transparência mostra que, entre 2021 e 2025, a Secretaria de Comunicação aparece entre os maiores gastos individuais com diárias.
O levantamento mostra que o ano em que Lessa recebeu menos diárias foi em 2022, mais de R$ 30 mil. Em 2023, a gestora da comunicação acreana chegou a gastar mais de R$ 77 mil com diárias. Este ano, já foram mais de R$ 56 mil.
Levantamento de gastos com diárias da Secretária de Comunicação:
2021 – R$ 33,5 mil
2022 – R$ 30,2 mil
2023 – R$ 77,2 mil
2024 – R$ 57,7 mil
2025 – R$ 54,6 mil
Vale lembrar que, além desses valores, o estado ainda paga passagens aéreas, não só da secretária, mas de uma equipe de comunicação que inclui fotógrafos, filmaker, social média, jornalista e quase sempre um dos diretores da Secretaria de Comunicação, o que levanta uma dúvida sobre o real papel da secretária, já que uma equipe completa faz a cobertura e assessoria do governador Gladson Camelí nessas agendas.
Enquanto isso…

Paralelamente aos valores exagerados investidos em viagens e diárias, o sistema de saúde enfrenta um drama conhecido pela população: pacientes que dependem do TFD para tratamentos em outros estados aguardam meses e, em alguns casos, anos para conseguir uma vaga, uma passagem ou um auxílio mínimo para sobreviver longe de casa.
Pacientes relatam demorar na fila de cirurgias eletivas, espera de anos por uma consulta de atendimento especializado. Nos últimos meses, uma fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público e Controladoria Geral da União flagrou pacientes acomodados nos corredores do Pronto-Socorro (leia aqui).
A comparação é inevitável e incômoda: O peso político e moral das viagens, claro que viagens oficiais são, sim, parte do trabalho de governo. Mas a falta de transparência sobre as agendas, relatórios de resultados e equilíbrio diante das demandas sociais, levanta a pergunta que fica cada vez mais difícil de ignorar: O que essas viagens têm entregado de fato ao povo acreano?
Em muitos casos, o governo publica apenas portarias genéricas, como “participar de reunião” ou “tratar de assuntos de interesse do Estado”. Mas quantas dessas reuniões poderiam ser remotas? Quantas justificam viagens de quatro, cinco ou seis dias? Há indicadores de resultados?








