Rio Branco, 16 de abril de 2026.

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Governo elabora plano de contingência para minimizar impactos das chuvas no Acre

Reunião foi realizada para apresentar plano de contingência para minimizar impactos das chuvas no estado — Foto: Pâmela Celina

O governo do Acre realizou nesta sexta-feira, 26, uma reunião de alinhamento com diversas instituições do estado para tratar sobre o aumento das chuvas e sobre a elaboração do plano de contingência para diminuir os impactos das águas nos próximos dias.

Na capital acreana, choveu cerca de 24 horas seguidas, o que ocasionou diversos transtornos em vários bairros, como alagamentos, desmoronamentos de terrenos e rompimento de asfalto em ruas da cidade.

Além disso, como consequência das fortes chuvas, o nível do Rio Acre subiu mais de 2m, em um intervalo de 10 horas, em Rio Branco. O manancial chegou a marca de 11,60m na tarde desta sexta-feira, 26. O nível do manancial na capital acreana também é influenciado pelas fortes chuvas que assolam os municípios da região do Alto Acre.

Durante a reunião, a vice-governadora do Acre, e secretária de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), Mailza Assis, que iniciou as falas da conversa, explicou que a iniciativa se deve à preocupação que alcança o poder público devido ao volume de chuvas nesses últimos dias.

“Hoje, comenta-se a elevação do rio, do volume de água. Isso desperta em nós a preocupação de tomar as providências, de reconhecer o nosso processo de governança com os projetos, com os programas, com os benefícios, com toda a estrutura que a gente precisa deixar à disposição da nossa população, caso tudo isso venha a aumentar”, disse.

Segundo Mailza, apesar de a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estarem atentos, fazendo as medições, ainda é necessário ter cuidado e atenção.

“Essas observações dependem de diferentes níveis de poder, munidos de informação, para que a gente fique preparado. A Secretaria de Assistência Social, que é a parte que mais demanda insumos, está preparada para isso. Estão sendo observadas todas as necessidades que, porventura, nós possamos ter. O intuito é a gente se adiantar, ficar preparado. Sabemos que a responsabilidade de execução primeiro é da prefeitura, mas nós também temos que fazer a nossa parte. Pode acontecer de termos que entrar com nossas estruturas”, completou.

Medidas a serem tomadas

O secretário da Casa Civil, Jonathan Donadoni, destacou que o plano de contingência não é feito para essa enchente específica.

“É um plano que já existe há algum tempo, feito pelo governo, no qual a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros atuam de forma articulada com os poderes públicos estaduais e municipais no combate às enchentes em nossa capital. Esse plano de contingência também não é exclusivo de Rio Branco. Ele envolve todo o estado do Acre. Quase todo ano, se o Estado não entra com sua atuação, o poder público municipal sozinho não consegue atender a demanda. A população fica desassistida”, afirmou.

Conforme com o secretário, se o Executivo Estadual não tivesse tomado a frente em enchentes anteriores, os municípios não teriam forças suficientes para atender as demandas deste período de chuvas.

“Nenhum município hoje está preparado para enfrentar sozinho esse tipo de situação. O Estado, com sua estrutura e capilaridade, consegue mobilizar material humano, estrutura e insumos por meio de suas secretarias e servidores, não apenas auxiliando, mas muitas vezes conduzindo a situação. Em Rio Branco, se não fosse o Estado nas últimas enchentes, o município teria virado um caos. Destaco que esse plano de contingência é essencial e vem sendo aperfeiçoado ao longo dos anos”, declarou.

O secretário enfatizou que plano de contingência também prevê a partir de qual metragem do rio, podem ser iniciadas a separação de locais como escolas e o Parque de Exposições para receber a população que vai necessita de abrigo.

“Inclusive, estamos avaliando outro espaço mais apropriado para ser utilizado para abrigar essas, porque o Parque de Exposições sempre traz dificuldades.
Mas o plano de contingência prevê quando devemos começar a nos mobilizar para limpar escolas, ginásios e afins”, ressaltou Donadoni.

O coordenador estadual da Defesa Civil, Cel. Carlos Batista, detalhou que, além do governo estadual, os 22 municípios do Acre também possuem seus planos de contingência.

“O Corpo de Bombeiros possui um plano operacional voltado para todos os municípios do estado, sendo o primeiro ente a chegar quando há ocorrências. É o primeiro a ser acionado”, acrescentou.

De acordo com o coordenador, a capital acreana conta com diversos atendimentos em diferentes localidades, pois os igarapés estão passando por enxurradas e há pontos de alagamento urbano devido a problemas de drenagem.

“O Corpo de Bombeiros está retirando famílias e entregando-as à Defesa Civil do município. Gostaria de pontuar a bacia do Rio Acre, porque nas últimas 48 horas choveu muito em cidades como Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri, Capixaba e também na zona rural de Rio Branco”, detalhou.

Coordenador da Defesa Civil Municipal detalhou quais medidas estado já está tomando — Foto: Pâmela Celina

Previsões de chuvas para os próximos meses

Batista também apresentou os dados sobre as previsões de chuvas para o estado nos próximos meses. Além disso, destacou que na capital acreana, nas últimas 48 horas, choveu cerca de 160mm, e na região do Alto Acre, foram 230mm.

“É um volume muito grande. O Rio Acre está subindo rapidamente. As previsões indicam mais chuvas nos próximos dias. As projeções para janeiro, fevereiro e março são de chuvas acima da média em todo o estado. A maior preocupação neste momento é com a capital. O rio está se aproximando da cota de alerta de 13,50m”, detalhou.

Com esta alerta, Batista informou que cada Defesa Civil Municipal tem um parâmetro para acionar seu plano.

“Em Rio Branco, a partir dos 11m já se iniciam ações como limpeza e preparação de locais para abrigamento. O Estado apoia, mas a responsabilidade legal pelo acolhimento das famílias é do município. Hoje temos cerca de 800 profissionais, entre bombeiros, policiais militares e civis, prontos para apoiar os municípios, podendo aumentar esse efetivo conforme o plano de contingência”, comentou.

O coordenador da Defesa Civil Estadual acrescentou ainda que, há 14 dias, foi realizado o maior simulado já feito em Rio Branco, que utiliza o sistema de alerta por celular, para testar os planos de contingência.

“Utilizando a ferramenta do IDAP, que é a interface de divulgação de alertas públicos por meio de broadcast, em que a mensagem chega ao celular, independentemente de a pessoa querer ou não. Essa mensagem chegou aos celulares dos senhores e das senhoras. Fizemos isso para testar os planos de contingência dos municípios. Foi realizado esse grande simulado, acompanhando cada município como se fosse uma situação real. O município iniciou suas ações, as secretarias municipais e as secretarias estaduais presentes no município se uniram para, em um caso real, haver essa celeridade e todos saberem o que fazer”, explicou como sobre como foi realizada a simulação.

Além disso, Batista relembrou também que, conforme o artigo 7º da Lei nº 12.608, o Estado é o responsável por coordenar as ações do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, em articulação com a União e os municípios.

Segundo Batista, neste ano também foram realizadas diversas reuniões com as Defesas Civis Municipais. “O Estado esteve com todos os municípios. Conversamos com todas as coordenadorias municipais para que, quando chegar esse momento, o município acione seu plano e o Estado entre com apoio, mediante solicitação”, acrescentou.

Para o governador do Acre, Gladson Camelí, a reunião é de extrema importância, porque é uma antecipação a um fato que ocorre todos os anos no estado.

“O que eu gostaria de pedir à equipe é que não percamos tempo. Que, se a prefeitura criar dificuldades em algum ponto, nós façamos a nossa parte, o nosso dever. Não esperar politização. Em um momento como esse, ainda mais em ano eleitoral, pode ter certeza de que alguém vai tentar politizar a situação.
Por isso, eu quero pedir o empenho de todos”, pediu durante sua fala.

Camelí também autorizou ser tomadas as medidas necessárias para diminuir os impactos das chuvas na vida da população.

“Agradeço a presença de todos que estão aqui, da minha vice-governadora, e deixo a autorização clara: se for preciso intervir para salvar vidas, que a gente intervenha. Então, o que tiver que fazer, vamos fazer”, determinou.

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