
Mileny Andrade (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró
O infectologista e hepatologista Dr. Thor Dantas usou as redes sociais para fazer um alerta preocupante sobre o avanço dos casos de HIV entre jovens no Acre. Em vídeo publicado neste mês de dezembro, marcado pela campanha Dezembro Vermelho, de conscientização sobre o HIV/Aids, o médico destacou que o estado vive um cenário alarmante, com aumento de internações e casos graves da doença.
Segundo ele, apesar dos grandes avanços da medicina nas últimas décadas, a realidade atual ainda preocupa. “A pandemia de AIDS já tem mais de 40 anos. No início, foi um período muito difícil, com muitas mortes e sem tratamento eficaz. Hoje, a infecção é uma doença crônica, tratável com apenas um comprimido por dia, e a pessoa pode ter qualidade e tempo de vida iguais aos de quem não tem o vírus”, explicou.
No entanto, o especialista alerta que, mesmo com todos os avanços, o número de jovens internados com quadros graves tem aumentado nos últimos anos. “O serviço de referência onde eu trabalho ficou cheio de pacientes jovens, muitos morrendo ou ficando com sequelas graves. Isso não é aceitável em 2025”, afirmou.
Comunicação falha e falta de prevenção
Para o médico, um dos principais problemas está na falta de estratégias eficazes de comunicação voltadas à juventude. Ele defende campanhas modernas, com linguagem acessível, uso de redes sociais e parcerias com influenciadores, artistas e personalidades públicas.
“O foco precisa ser explicar como a doença funciona hoje, como se transmite, como se previne e como é o tratamento atualmente. Também é essencial falar das consequências graves de quem não se testa e não se trata”, reforçou.
Outro ponto destacado é a ampliação da prevenção combinada, que inclui o uso de preservativos, gel lubrificante e o acesso à PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), medicamento que previne a infecção pelo HIV. Segundo ele, o Acre foi o último estado do país a adotar a PrEP pelo SUS e, ainda assim, o número de usuários é muito baixo.
“A PrEP precisa estar disponível na atenção primária, nas unidades básicas de saúde, para quem mais precisa. Se fosse mais utilizada, evitaria muitas das mortes que estamos vendo entre jovens”, afirmou.
Falta de acesso à PEP e à testagem
O infectologista também chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso à PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que deve ser usada após situações de risco. “A PEP é uma emergência médica e precisa estar disponível 24 horas por dia em todas as unidades de pronto atendimento”, ressaltou.
Além disso, ele defende a ampliação da testagem rápida para HIV em locais como universidades, bares, festas, eventos e espaços públicos. “As pessoas precisam ser estimuladas a se testar sempre que tiverem relações sem camisinha”, disse.
Ações integradas e uso da tecnologia
Dr. Thor também destacou a importância de fortalecer a vigilância em saúde, melhorar o monitoramento dos casos e desenvolver ações específicas para populações mais vulneráveis, como pessoas em situação de rua, trabalhadores do sexo e dependentes químicos.
Outro ponto levantado foi a necessidade de parcerias com plataformas digitais e aplicativos de relacionamento. “Esses aplicativos são muito usados pelos jovens e podem ajudar na divulgação de informações, campanhas de prevenção, testagem e localização de serviços de saúde”, explicou.
Ao finalizar, o médico fez um apelo: “O desafio é grande, mas as ferramentas existem. Precisamos agir. Não é possível continuar vendo tantos jovens morrerem de uma doença que hoje tem prevenção e tratamento.”
Veja o vídeo:








