Rio Branco, 21 de maio de 2026.

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O Acre teve uma das maiores reduções proporcionais de desmatamento da Amazônia em outubro

Desmatamento no Acre em 2025 foi de 16 quilômetros quadrados: Foto cedida

O Acre apresentou uma das reduções mais significativas de desmatamento entre os estados da Amazônia Legal em outubro de 2025. De acordo com dados atualizados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), o estado passou de 51 quilômetros quadrados desmatados em outubro de 2024 — o equivalente a 12% do total amazônico — para 16 quilômetros quadrados no mesmo mês de 2025, representando 7% do desmatamento registrado na região.

A retração em termos absolutos e proporcionais indica um movimento consistente de queda. No período analisado, a Amazônia Legal registrou uma diminuição geral nos alertas, mas o desempenho acreano se destacou pela intensidade da redução, especialmente em comparação com estados de maior pressão, como Pará, Amazonas e Mato Grosso.

Na degradação florestal, o Acre manteve participação reduzida pelo segundo ano consecutivo. Em outubro de 2024, foram 86 quilômetros quadrados, correspondendo a 1% da degradação total da Amazônia Legal. Em 2025, o índice permaneceu em 1%, embora com volume muito menor: 5 quilômetros quadrados. A estabilidade percentual, combinada com a forte redução absoluta, reforça o cenário de menor pressão sobre a cobertura florestal acreana.

Os mapas do SAD mostram que os focos permanecem concentrados na porção norte do estado, região de contato com o Amazonas, onde a expansão agropecuária exerce influência histórica sobre a dinâmica do uso do solo. Mesmo com essa pressão, nenhum município do Acre apareceu na lista de áreas críticas apontadas pelo boletim, o que sugere que, apesar de persistentes, os vetores de desmatamento mantêm intensidade relativamente baixa quando comparados ao restante da Amazônia.

Analistas ponderam, contudo, que a queda não deve ser interpretada isoladamente. Parte da retração pode estar associada a condições climáticas específicas de 2025, além de possíveis deslocamentos de atividades ilegais para outros estados. Ainda assim, o comportamento do Acre ao longo dos últimos meses indica que o estado consolida gradualmente um padrão de menor contribuição para o avanço da remoção florestal na Amazônia Legal.

A manutenção dessa trajetória dependerá de monitoramento contínuo, reforço de políticas de proteção e acompanhamento das pressões em áreas de fronteira agrícola. Caso o ritmo atual se sustente, o Acre poderá fortalecer sua posição como uma das unidades federativas com melhor desempenho ambiental no bioma.

Cenário geral da Amazônia Legal

Já a Amazônia brasileira comemora uma queda significativa no desmatamento. A derrubada da floresta passou de 419 km² em outubro de 2024 para 237 km² em outubro de 2025, 43% a menos. Essa foi a menor área devastada no mês dos últimos seis anos, desde 2019.

Além disso, outubro foi o quinto mês consecutivo com queda na derrubada da Amazônia, o que deixou o acumulado do ano 28% menor do que em 2024. No ano passado, foram detectados 3.490 km² de desmatamento de janeiro a outubro. Já neste ano, no mesmo período, o sistema identificou 2.530 km² de derrubada florestal.

Coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, o pesquisador Carlos Souza Jr. alerta para o fato de que outubro é o terceiro mês do chamado calendário de desmatamento de 2026, que vai de agosto de 2025 a julho de 2026.

“Considerando o acumulado dos três primeiros meses do calendário, há redução de 44% no desmatamento até o momento. Tendência de redução muito positiva para que o país caminhe rumo ao cumprimento da meta de desmatamento zero até 2030”, comemora.

Degradação caiu 92% em outubro

Além da queda no desmatamento, a Amazônia teve uma redução ainda mais significativa na degradação florestal, dano causado pelo fogo e pela exploração madeireira. Os dados do Imazon mostram que as florestas degradadas passaram de 6.623 km² em outubro de 2024, quando houve uma alta significativa nas queimadas, para 516 km² em outubro de 2025, o que representa 92% a menos.

Com isso, o acumulado de degradação de janeiro a outubro fechou com queda de 87% em relação a 2024, ano em que os incêndios florestais fizeram com que a Amazônia tivesse a maior área degradada desde 2009, quando o Imazon começou a monitorar esse dano ambiental.

Nos primeiros 10 meses do ano passado, a região teve 32.869 km² degradados. Já neste ano, foram 4.282 km². Apesar da queda de 14% no desmatamento em outubro, o Pará foi o estado com a maior área devastada no mês: 113 km², o que corresponde a 48% de toda a derrubada registrada na Amazônia. Já em relação à degradação, o campeão foi Mato Grosso, com 62% das florestas degradadas na região.

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