
Mileny Andrade (estagiária), sob a supervisão de Leônidas Badaró
A rotina intensa do Hospital da Criança ganha um novo significado aos domingos, quando o ambiente hospitalar é preenchido por cores, risos e momentos de leveza. É nesse contexto que atua o Projeto Medilhaço, iniciativa vinculada à Universidade Federal do Acre (UFAC) que utiliza a arte, a terapia e a palhaçaria como formas de cuidado e acolhimento emocional.

A estudante de Enfermagem da UFAC, Jeiciane Martins, faz parte do projeto, que realiza visitas ao hospital e também participa de ações sociais. Segundo ela, o Medilhaço teve início com estudantes do curso de Medicina, mas ao longo do tempo foi se expandindo para outros cursos da área da saúde. Atualmente, o projeto passa por um processo de transição para incluir estudantes de diferentes cursos da universidade, o que também motivou a discussão sobre a mudança do nome, para que não remeta exclusivamente à Medicina.
“O objetivo principal do projeto é levar alegria e descontração às crianças hospitalizadas, que muitas vezes permanecem longos períodos internadas e privadas de vivências comuns da infância, como brincar, correr e socializar. Para crianças em tratamento oncológico, por exemplo, a internação costuma ser marcada por procedimentos dolorosos, tratamentos prolongados e um forte impacto emocional”, afirma Jeiciane.

Jeiciane explica ainda que o estado emocional do paciente influencia diretamente no tratamento de saúde, algo já comprovado cientificamente. No caso das crianças, esse aspecto se torna ainda mais sensível, pois a tristeza e o isolamento podem dificultar o enfrentamento da doença.
Dentro desse contexto, o Medilhaço atua por meio da arteterapia, reconhecida como uma prática integrativa em saúde. Durante as visitas, os integrantes utilizam desenhos, brincadeiras e a palhaçaria como ferramentas para tornar o ambiente hospitalar mais leve. Fantasiados de palhaços, fadas, piratas e outros personagens lúdicos, os estudantes buscam criar momentos de alegria e acolhimento, contribuindo para o bem-estar emocional das crianças.
Além de beneficiar os pacientes, o projeto também influencia diretamente a formação dos estudantes envolvidos, ao reforçar a importância de um cuidado mais humano, que considere não apenas os aspectos físicos da doença, mas também as dimensões emocionais e sociais do tratamento.
Mesmo em fase de transição, o Medilhaço segue com o compromisso de levar afeto, empatia e esperança ao Hospital da Criança, mostrando que, muitas vezes, a alegria também pode ser parte fundamental do processo de cuidado.

“Muito bom, a gente vai fantasiasos de fadinha, personagens infantis, conseguimos tornar mais leve o ambiente hospitalar e conseguimos ver no olhar e no sorriso de cada criança um momento de alegria durante o tratamento que não é fácil de ser superado”, afirma a estudante.







