Rio Branco, 2 de maio de 2026.

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Rio Acre apresenta elevação progressiva e acende alerta das autoridades para risco de enchente no fim do ano

Subida do nível do rio no interior preocupa população dos municípios do Baixo e Alto Acre – Foto: Jardy Lopes/Acervo pessoal

O Rio Acre voltou a apresentar comportamento preocupante nos últimos dias, conforme dados divulgados pelas coordenadorias municipais de Defesa Civil. Os boletins entre os dias 17 e 19 de dezembro mostram uma elevação consistente do nível do rio, especialmente no médio e baixo curso da bacia, refletindo diretamente nas cidades de Xapuri, Capixaba e Rio Branco.

Em Xapuri, o rio passou de 4,03 metros no dia 17 para 8,10 metros no dia 19, enquanto na estação de Capixaba o nível subiu de 4,20 para 6,46 metros no mesmo período. O crescimento também foi significativo em Brasiléia, onde o manancial saltou de 2,43 metros para 8,77 metros em apenas dois dias.

A situação se torna ainda mais sensível em Rio Branco. Na capital acreana, o Rio Acre saiu de 6,30 metros no dia 17, avançou para 9,05 metros no dia 18 e chegou a 10,07 metros na manhã do dia 19, aproximando-se da cota de alerta, que é de 12,50 metros. A cota de transbordo é de 13,40 metros.

Os afluentes também contribuem para esse cenário. O Riozinho do Rola, um dos principais formadores do Rio Acre, apresentou elevação contínua, alcançando 8,80 metros no último boletim. Já o Rio Espalha, embora com pequenas oscilações, permanece em patamar elevado, reforçando o volume de água que segue em direção ao baixo curso.

No alto da bacia, em Assis Brasil e na região da Aldeia dos Patos, os níveis apresentaram oscilações e recuos pontuais, comportamento típico de áreas onde o escoamento é mais rápido. Ainda assim, o volume acumulado nas regiões intermediárias segue pressionando o sistema hídrico.

O cenário hidrológico atual se soma a um fator que amplia a preocupação das autoridades: a previsão climática para o Acre nas próximas duas semanas, até o início de janeiro de 2026, indica a continuidade do período chuvoso, com precipitações frequentes e alerta para acumulados elevados. Esse padrão de chuva favorece a manutenção da elevação dos rios e pode acelerar a aproximação das cotas de alerta e transbordo, tanto no Rio Acre quanto em seus principais afluentes.

A evolução do manancial reacende a memória de enchentes históricas, como a de 2015, considerada a maior já registrada, quando o nível ultrapassou os 18 metros em Rio Branco, e a de 2024, que também entrou para a série das maiores cheias do rio. Em ambos os episódios, milhares de famílias foram afetadas em todo o estado, com prejuízos sociais e econômicos expressivos.

Embora os níveis atuais ainda estejam abaixo dessas marcas históricas, a velocidade de elevação observada nos últimos dias, aliada à persistência das chuvas prevista para o fim de dezembro e início de janeiro, mantém a Defesa Civil e demais órgãos de monitoramento em estado de atenção. A recomendação é que a população ribeirinha acompanhe os boletins oficiais e adote medidas preventivas, sobretudo nas áreas historicamente vulneráveis a inundações.

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