
O velório do colunista e ativista cultural Moisés Ferreira de Alencastro, conhecido como “Darling”, realizado nesta quarta-feira, 24, foi marcado por emoção e honra ao legado de luta em diferentes causas e defesa dos direitos humanos construída por Alencastro. Vestidos de branco, amigos e familiares prestaram suas últimas homenagens e relembraram a personalidade gentil, alegre e humana.
As homenagens foram celebradas na capela do cemitério Morada da Paz, em Rio Branco. Natural de Fortaleza, Moisés construiu carreira no Acre e se tornou uma figura influente, principalmente, pelos trabalhos em prol da causa LGBTQIA +, onde esteve à frente de diversas iniciativas importantes, como a Semana e a Parada do Orgulho.
Alencastro também era servidor público do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), onde atuava no Centro de Atendimento à Vítima (CAV).

Felipe Souza, irmão caçula de Moisés, compartilhou que o irmão mais velho esteve presente na sua vida desde o nascimento e que os momentos ao lado dele sempre foram de alegria. “Quando nasci, meu irmão já estava morando aqui no Acre, porque somos de Fortaleza, mas ele sempre foi muito presente, até por ligação, e é um momento muito doloroso, uma perda muito forte”, disse.
O caçula acrescentou que sempre terá as viagens do irmão até Fortaleza como memória favorita. “Meus momentos favoritos com ele são o de lazer, quando ele ia para casa. Quando ele dizia que ia, a gente já sabia que ia ser uma diversão, porque era isso que ele proporciona. Mesmo criança, isso sempre me marcou”.
A ex-deputada federal, Perpétua Almeida, amiga de longa data de Moisés, também prestou homenagens. Bastante abalada, Perpétua pediu pelo fim da violência e do ódio. “Darling era mais do que um irmão, mais do que um amigo, ele estava presente em todos os momentos. Ele conseguiu unir todas as bandeiras do Acre, todas as lutas, todas as classes. Um dos caras mais humanos que eu já conheci. Que não morram mais amigos, companheiros e pessoas importantes nessas condições, que a morte do Darling não seja em vão, que a gente consiga despertar amor na sociedade e que isso pare. Chega dessas mortes tão violentas, chega de tanto ódio”.
O deputado estadual Edvaldo Magalhães também compareceu ao velório. “Nós estamos aqui reunidos nesse momento com o mesmo sentimento, de indignação, porque como que alguém tão do bem, tão comprometido com as boas causas, tem um assassinato desse modo, tão cruel e brutal. O que fica é o legado de que Moisés era um construtor de coisas, uma pessoa de solidariedade extraordinária, que circulava em todos os lugares, independente do ponto de vista ideológico. E era amado. Esse é o maior legado do Moisés, e é por isso que ele nos reúne no dia do Natal”.


























