
O Rio Acre voltou a subir durante a madrugada e manhã deste domingo (28) e mantém em estado de alerta os municípios ao longo da bacia. Em Xapuri, os dados da Defesa Civil Municipal mostram que o rio também segue em elevação, mas ainda abaixo das cotas de risco. A cidade opera com Cota de Alerta em 12,50m e Cota de Transbordo em 13,40m. Ao meio-dia deste domingo, a marca era de 10,77m, mais de dois metros abaixo do nível de alerta, porém com tendência de subida a partir das análises das leituras a montante.
O coordenador da Defesa Civil Municipal de Xapuri, tenente Marcelo Negreiros, explicou que o cenário ainda é considerado controlado, apesar da elevação das últimas horas:
“O rio ainda deve subir um pouco mais, mas acima de Xapuri o volume de água já está diminuindo. A tendência é que ele alcance cerca de 11,20 metros entre hoje e amanhã e, então, comece a vazar. Por enquanto, o cenário está dentro do esperado e não há motivo para alarme. Todo esse aumento foi causado principalmente pelo volume vindo de Brasiléia e Epitaciolândia. Em Assis Brasil, por exemplo, não choveu, nem no lado peruano da fronteira”, explicou.
Em Brasiléia, o manancial indicou vazante na manhã desta domingo. A estação da cidade começou o dia com o registro de 9.48m, às 9h foi a 9.26m e a 7,94 ao meio-dia. Assis Brasil, no entanto, registrou elevação de 4,50m para 4,58m entre 9h e meio-dia. A estação de Aldeia dos Patos, acima de Assis Brasil, registrou vazante de 3,27m para 3,02 também nesta manhã.
Situação na capital
Em Rio Branco, capital do Acre, o nível chegou a 15,04 metros, conforme medição da Defesa Civil realizada nesta tarde. O aumento foi de 20 centímetros em menos de seis horas, e já provoca desabrigamentos em bairros ribeirinhos. Segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, Cláudio Falcão, em reportagem publicada mais cedo pelo Portal Acre, a tendência, por enquanto, não é de estabilização.
“Infelizmente, não há chances do rio baixar por enquanto. A nossa previsão é que o nível chegue em torno de 16 metros e só a partir daí podemos pensar em retração”, afirmou. O cenário é alimentado pelo grande volume de água que desce de toda a bacia, principalmente do Riozinho do Rola, que nesta manhã marcou 14,36m, e também registra tendência de alta.
A Prefeitura de Rio Branco estima que mais de 70 famílias já tenham sido retiradas de suas casas desde as primeiras horas do dia. Elas são direcionadas a abrigos improvisados em escolas municipais, enquanto o Parque de Exposições está sendo preparado para receber novos desabrigados caso o rio continue subindo. Regiões mais baixas da capital já apresentam ruas alagadas e moradias parcialmente submersas.
A análise hidrológica indica que, embora pontos como Assis Brasil e Brasiléia apresentem oscilações, a força da cheia concentra-se entre Capixaba, Riozinho do Rola e Rio Branco, influenciando diretamente no cenário previsto para os próximos dias.
Previsão do tempo e alerta meteorológico
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve ativo o aviso de perigo potencial para chuvas intensas no estado, válido até 10h de segunda-feira (29). A previsão aponta acumulados de 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos entre 40 e 60 km/h. O alerta menciona baixo risco de quedas de galhos e descargas elétricas, mas recomenda atenção a áreas de alagamento.
As instabilidades ainda estão associadas ao fluxo de umidade vindo da Amazônia e aos reflexos da atuação do VCAN (Vórtice Ciclônico de Altos Níveis), que segue mantendo o padrão de pancadas de chuva irregulares, porém volumosas, especialmente no período da tarde e noite.
Orientações das autoridades
A recomendação oficial é que moradores:
busquem abrigo seguro em caso de risco iminente;
evitem atravessar áreas alagadas;
mantenham documentos e objetos pessoais protegidos;
acionem as equipes de emergência pelos telefones 193 (Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).
A Defesa Civil reforça que novas atualizações serão emitidas ao longo do dia diante do comportamento das águas.








