Rio Branco, 12 de maio de 2026.

Detran maio 1200x250

Com 5 km² de área desmatada, Acre mantém estabilidade no desmatamento em dezembro,  aponta SAD

Um dado positivo é que Acre não aparece fora do eixo da degradação em dezembro – Foto Freepik

Os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), referentes a dezembro de 2025, indicam um cenário de estabilidade no desmatamento recente no Acre, em contraste com a forte redução da degradação florestal registrada na Amazônia Legal. O estado segue fora do grupo mais crítico no recorte mensal, mas permanece inserido em uma dinâmica estrutural de pressão quando observado o acumulado do segundo semestre.

Segundo o boletim, foram detectados 91 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em dezembro de 2025, um aumento de 7% em relação a dezembro de 2024, quando o total foi de 85 km². Desse volume, Mato Grosso e Roraima concentraram, cada um, cerca de 26 km², o equivalente a 29% do total em cada estado. Na sequência aparecem o Pará, com aproximadamente 20 km² (22%), o Amazonas, com 8 km² (9%), o Acre, com 5 km² (5%), Rondônia, com 4 km² (4%), e o Maranhão, com 2 km² (2%).

Na comparação com o boletim de novembro de 2025, quando a Amazônia Legal registrou 120 km² de desmatamento, observa-se uma redução de 29 km² no total mensal. No caso do Acre, o volume caiu de 6 km² em novembro para 5 km² em dezembro, mantendo praticamente inalterada a participação percentual do estado, que segue em torno de 5% do desmatamento mensal. O dado reforça um padrão recorrente: o Acre não apresenta picos abruptos de desmate, mas tampouco consegue eliminar de forma consistente os alertas mensais.

Pressão menor no mês, mas persistente no acumulado

A leitura ganha outra dimensão quando o foco se desloca para o acumulado. No período de agosto a dezembro de 2025, o Acre somou 187 km² de desmatamento, uma redução expressiva frente aos 275 km² registrados no mesmo intervalo de 2024, o que representa queda de aproximadamente 32%.

Apesar do recuo significativo, o estado continua figurando entre aqueles que mantêm pressão estrutural sobre a floresta, ainda que em trajetória descendente. O comportamento indica avanço no controle, mas também evidencia que o problema não foi superado, apenas atenuado.

Na comparação regional, estados como Pará, Amazonas e Mato Grosso também apresentaram redução no acumulado, enquanto Roraima manteve trajetória de alta em alguns recortes, deslocando parcialmente o eixo da pressão para o extremo norte da Amazônia.

Desmatamento fora de áreas protegidas

O perfil fundiário do desmatamento reforça um ponto sensível para o Acre. Em dezembro de 2025, 78% do desmate na Amazônia Legal ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse, enquanto 14% foram registrados em assentamentos, 7% em Unidades de Conservação e apenas 1% em Terras Indígenas.

Esse desenho dialoga diretamente com a realidade acreana, onde a maior parte da pressão se concentra em áreas privadas, ramais de ocupação recente e zonas de expansão agropecuária de pequena e média escala, frequentemente marcadas por fragilidade fundiária e dificuldade de fiscalização contínua.

Acre fora do eixo da degradação em dezembro

Um dos dados mais positivos do boletim de dezembro é a queda abrupta da degradação florestal na Amazônia Legal, que passou de 628 km² em dezembro de 2024 para apenas 59 km² em dezembro de 2025, uma redução de 91%.

Nesse recorte mensal, o Acre não aparece entre os estados com degradação detectada, reforçando um aspecto favorável do cenário recente. A degradação concentrou-se no Mato Grosso (68%), Pará (25%) e Maranhão (7%).

Ainda assim, o acumulado de agosto a dezembro de 2025 revela que o Acre registrou 6 km² de degradação florestal, acima dos 3 km² observados no mesmo período de 2024. Embora os números absolutos sejam baixos, o aumento percentual sugere a necessidade de vigilância contínua, sobretudo em áreas de transição e no entorno de unidades protegidas.

Avaliação técnica do SAD

O conjunto dos dados indica que o Acre atravessa um momento de relativa estabilidade no curto prazo, com queda expressiva no acumulado anual, mas ainda distante de um cenário de reversão definitiva do desmatamento.

O risco, segundo a leitura técnica do SAD, está na persistência de alertas difusos e pulverizados, que não ganham grande destaque nos rankings mensais, mas que, somados ao longo do tempo, comprometem metas ambientais e climáticas.

Em síntese, o Acre permanece fora do epicentro do desmatamento na Amazônia Legal, mas segue em uma zona de atenção permanente, onde a redução observada em 2025 precisa ser consolidada por meio de políticas públicas estruturantes, ordenamento territorial, regularização fundiária e fiscalização ambiental contínua.

Dados do Imazon referentes ao mês de dezembro – Foto: reprodução

Compartilhe em suas redes

Sem fronteiras 4