Rio Branco, 21 de maio de 2026.

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Dengue recua no Brasil em 2025, mas Acre registra uma das maiores incidências do país

Período de chuvas, ideal para a proliferação do mosquito transmissor, requer cuidados para eliminar criadouros – Foto: reprodução

Os números atualizados da dengue em 2025 mostram um cenário de queda expressiva no Brasil em relação ao ano anterior, mas mantêm o alerta aceso para o ano que está iniciando, sobretudo em estados da Região Norte — com destaque para o Acre, que aparece entre as unidades da federação com maior incidência da doença.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país contabiliza 1.637.501 casos prováveis de dengue em 2025. O número de óbitos chegou a 1.747, com outros 193 ainda em investigação. O coeficiente de incidência nacional foi de 770,3 casos por 100 mil habitantes, bem abaixo do registrado em 2024, quando o Brasil enfrentou um dos piores surtos da história recente.

Para efeito de comparação, em 2024 foram 6.563.561 casos prováveis e 6.321 mortes, com coeficiente de incidência de 3.087,05. A letalidade em casos prováveis subiu levemente em 2025, passando de 0,10 para 0,11, enquanto a letalidade entre casos graves caiu de 5,94 para 4,95.

Acre tem terceira maior incidência do Brasil

Apesar da retração nacional, o Acre segue em posição de destaque negativo. O estado registra coeficiente de incidência de 1.034, o terceiro maior do país, atrás apenas de São Paulo (1.965,1) e Goiás (1.401,3).

Em números absolutos, são 9.106 casos prováveis de dengue em 2025, com cinco óbitos confirmados e nenhuma morte em investigação. A letalidade em casos prováveis no estado é de 0,05, enquanto a letalidade em casos graves chega a 6,41, índice acima da média nacional.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), o Acre ultrapassou 7,5 mil infecções confirmadas em 2025. Em 2024, o estado havia registrado cerca de 5 mil casos, com apenas um óbito. A pasta confirma os cinco óbitos divulgados pelo Ministério da Saúde.

Municípios concentram casos e óbitos

Os cinco óbitos registrados no Acre ocorreram justamente nos municípios com maior número de casos:

Rio Branco: 3.718 casos e um óbito

Cruzeiro do Sul: 2.945 casos e dois óbitos

Feijó: 632 casos

Tarauacá: 296 casos e um óbito

Mâncio Lima: 225 casos e um óbito

Em 2024, o cenário era bem diferente: o Acre contabilizou 6.263 casos prováveis, com um único óbito. Rio Branco teve 1.240 casos, sem mortes, enquanto Cruzeiro do Sul concentrou 1.261 casos e o único óbito daquele ano.

Perfil dos casos

Os dados de 2025 mostram que 56% das infecções no Acre ocorreram em mulheres e 46% em homens. A faixa etária mais atingida foi a de 20 a 29 anos, com 879 homens e 1.105 mulheres infectados, indicando maior impacto sobre a população economicamente ativa.

Vacinação

No campo da prevenção, o país aposta na ampliação da vacinação. Em outubro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na China para fortalecer a parceria com a empresa WuXi Biologics, que permitirá a produção em larga escala da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A expectativa do governo federal é que a Anvisa conceda o registro da vacina 100% brasileira até o fim do ano, viabilizando uma produção de 40 milhões ou mais de doses a partir de 2026 — o que consolidaria o maior programa público de imunização contra a dengue no país.

Iniciada em 2024, a vacinação prioriza crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios com maior risco. O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público de saúde. Até outubro de 2025, mais de 10,3 milhões de doses já haviam sido distribuídas aos estados, com outras 9 milhões previstas para 2026.

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