A reportagem do Portal Acre conversou, neste domingo, 11, com Geriane de Souza Lima, de 33 anos, mãe do menino de 12 anos, portador de encefalopatia crônica (paralisia cerebral), encontrado em uma chácara no Ramal do Canil, bairro Vila Acre, no último sábado,10. Segundo Cleber Uelligton Souza, pai da criança, e a Polícia Militar, o menor teria sido deixado em situação de abandono.
Geriane aceitou falar com a reportagem para apresentar sua versão dos fatos. A entrevista foi concedida na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde ela compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos.

Ao ser questionada sobre a acusação de abandono, Geriane negou e afirmou que havia saído apenas para jantar, retornando horas depois.
“Primeiramente, boa tarde. Eu não estava fugida ou sumida, como falaram. Eu apenas saí para jantar e voltei depois de algumas horas. Eu não abandonei meu filho de forma alguma. Eu cuido dele há 12 anos sozinha”, afirmou.
A mãe também criticou a postura do pai da criança, alegando que ele nunca foi presente na criação dos filhos.
“O pai dele nunca foi um pai presente, nem dele nem das outras filhas que eu tive com ele. Fui casada 14 anos. Pergunta a ele quantas fraldas ele trocou? Quantas vezes ficou internado com os filhos? Eu fiquei 60 dias internada com o Nicolas, grávida de sete meses”, relatou.
Geriane destacou ainda a sobrecarga emocional e financeira enfrentada diariamente.
“Sou mãe solteira de quatro filhos. Recebo apenas R$ 400 de pensão. Isso dá para alimentar quatro crianças? O suplemento do Nicolas custa R$ 170 a lata”, desabafou.
Ela afirmou que depende da ajuda de familiares para conseguir manter os filhos e disse que o pai não contribui além da pensão judicial.
Durante a entrevista, Geriane relatou episódios de violência doméstica durante o relacionamento, afirmando que chegou a sofrer agressões físicas na frente dos filhos.
“Minha filha, desde os oito anos, presenciava brigas e agressões. Passei semanas com olho roxo. Nunca denunciei”, declarou.
Sobre o estado de saúde do menino, Geriane reconheceu falhas, mas afirmou que as feridas apresentadas pela criança são compatíveis com a condição clínica.
“Eu sei que errei. As escaras são feridas que aparecem devido à deficiência. Foi a primeira vez que ele teve. Cuidei dele por 12 anos e isso nunca tinha acontecido”, afirmou.
Ela também responsabilizou o pai por uma regressão no quadro de saúde da criança, alegando que o menino teria sofrido uma queda enquanto estava sob os cuidados dele.
“Depois que ele deixou o Nicolas cair da cama, ele começou a regredir. Antes, ele se alimentava com as próprias mãos”, disse.
Geriane confirmou que já houve uma denúncia anterior registrada no Ministério Público, mas afirmou que, na ocasião, explicou sua condição psicológica às autoridades.
“Eu não sou perfeita. Reconheço que falhei, que me sobrecarreguei. Mas tudo isso vem de anos de abandono, traições e pressão psicológica”, relatou.
Questionada se pretende retomar a guarda do filho ou permitir que ele fique com o pai, Geriane disse que ainda está avaliando a situação, mas afirmou que deseja lutar pelo filho.
“Filho é filho. Claro que vou querer meu filho. Só eu e Deus sabemos o que já passei com ele, sozinha, em UTI, grávida de sete meses”, concluiu.
Geriane compareceu à DEAM para prestar esclarecimentos, e o caso segue sendo acompanhado pelas autoridades competentes. O Portal Acre continuará acompanhando os desdobramentos.
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