Rio Branco, 25 de maio de 2026.

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MEC avança no debate sobre a criação da Escola Nacional de Hip Hop

Discussões estão avançadas em Brasília – Foto: cedida

Iniciativa busca fortalecer a equidade racial e valorizar a identidade de estudantes negros e periféricos por meio da cultura hip hop

O Ministério da Educação (MEC) realizou, na segunda-feira (26), a primeira reunião técnica com representantes do movimento hip hop de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal para discutir a proposta de criação da Escola Nacional de Hip Hop. A iniciativa integra a construção de uma política educacional voltada ao fortalecimento do sucesso escolar na educação básica, com foco especial em estudantes negros e periféricos, a partir do diálogo direto com a cultura hip hop.

Em fase inicial de elaboração, a proposta fará parte da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). De acordo com o MEC, a política será organizada em quatro eixos estruturantes: coordenação federativa; formação; materiais de apoio; e difusão, reconhecimento e valorização de saberes. O objetivo central é promover pertencimento, representatividade e valorização da identidade negra no ambiente escolar.

Durante o encontro, o secretário-executivo do MEC, Leonardo Barchini, destacou que a proposta acompanha o fortalecimento do orçamento destinado às políticas de inclusão e equidade educacional. “Hoje, podemos afirmar com orgulho que o hip hop passa a integrar o orçamento da educação”, afirmou. Já a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, Zara Figueiredo, ressaltou o potencial simbólico e pedagógico da iniciativa. Segundo ela, a presença do hip hop nas escolas amplia referências positivas para os jovens. “Chegou o momento de termos outros heróis e musas inspirando esses adolescentes. A identidade negra passa a ocupar o espaço escolar por meio da arte, da rima e da cultura hip hop”, pontuou.

O Acre na construção da política

Coordenador Núcleo de Hip Hop Mocambo afirma que escola é uma conquista das periferias – Foto: cedida

No Acre, a proposta foi recebida como um marco histórico para a cultura periférica e para a educação pública. Para Augusto Maia, conhecido como Augustoh2, coordenador do Núcleo de Hip Hop Mocambo, o reconhecimento institucional do hip hop representa a valorização de uma pedagogia construída nas periferias ao longo de décadas.

“O hip hop contribui com a sociedade brasileira desde que chegou ao país, criando diálogos e construindo pontes. Desenvolvemos uma pedagogia que já impactou positivamente milhares de jovens, principalmente das periferias. Atuamos onde muitas vezes o poder público não alcança. Já estamos nas escolas no formato ‘nós por nós’, mas agora o MEC propõe um projeto no qual essa pedagogia pode se tornar método para o ensino público em todo o país”, destacou.

Segundo o MEC, a chamada pedagogia do hip hop também amplia as possibilidades de aprendizagem e de ocupação do tempo escolar, inclusive em momentos como os intervalos, estimulando a expressão cultural, o pensamento crítico e a participação juvenil. A abordagem valoriza saberes populares, vivências periféricas e identidades historicamente marginalizadas, reafirmando a escola como espaço de diversidade, inclusão e equidade.

Augustoh2 reforçou ainda que o estado assim como os demais, está plenamente integrado ao processo. “O Acre está 100% inserido no programa. O rapper e poeta GOG foi convidado pelo MEC para montar um time nacional que está conduzindo esse diálogo dentro do Ministério da Educação. Estou representando o Acre nessa caminhada através do mocambo. É um projeto de alcance nacional; nenhum estado ficará de fora”, concluiu.

A criação da Escola Nacional de Hip Hop representa um passo importante na consolidação de políticas públicas que reconhecem a cultura urbana como ferramenta pedagógica e de transformação social, fortalecendo a relação entre educação, identidade e cidadania.

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