
Em muitos lugares, o período de chuvas chega como parte do ciclo natural da vida. A água traz renovação, alimenta a terra e sustenta rios que contam histórias antigas. Mas, quando a chuva vem em excesso, ela também exige atenção, solidariedade e consciência coletiva.
A cheia do rio Acre, já conhecida e prevista todos os anos, volta a impactar a vida de muitas famílias, que precisaram, novamente, deixar suas casas temporariamente em busca de abrigo e segurança.
Embora seja uma realidade recorrente, a força das cheias não tem se apresentado de forma silenciosa. Pelo contrário: o rio tem se mostrado cada vez mais poderoso, ocupando espaços, transbordando limites e deixando sinais claros de que algo precisa ser repensado. Não se trata apenas de um evento natural, mas de um alerta.
A retirada preventiva das famílias é uma medida necessária para preservar vidas. Nesse processo, o cuidado coletivo, o apoio entre vizinhos e a atuação dos órgãos responsáveis fazem toda a diferença. Abrigos, doações e gestos de solidariedade ajudam a amenizar os impactos e fortalecem os laços da comunidade em um momento delicado.
Mais do que enfrentar a cheia, é preciso refletir sobre suas causas e consequências. O avanço do desmatamento, a ocupação desordenada das margens dos rios e a falta de discussões mais efetivas sobre a preservação ambiental contribuem para que essas situações se tornem cada vez mais intensas.
A cheia do rio Acre escancara a urgência de cuidar do meio ambiente, respeitar os limites da natureza e pensar em soluções sustentáveis. A chuva passa, o rio retorna ao seu curso e as famílias reconstroem suas rotinas.
Que fique, além da memória do desafio, a consciência de que cuidar da natureza é também cuidar das pessoas. Afinal, quando o meio ambiente pede atenção, ele está, na verdade, pedindo futuro.
Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.







