Rio Branco, 26 de junho de 2026.

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Acre está entre os cinco estados com maior taxa de estupro de vulnerável no país, aponta Ministério da Justiça

Levantamento apota que autores são familiares, conhecidos ou pessoas próximas da vítima – Foto reprodução

O Acre aparece entre os estados com maior incidência de estupro de vulnerável no Brasil em 2025, tanto em relação à taxa por 100 mil habitantes quanto na comparação regional. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e foram destacados em reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.

Segundo o levantamento, os estados da região Norte lideram o ranking nacional da modalidade criminosa, que ocorre quando a vítima é menor de 14 anos ou não possui capacidade de consentir ou oferecer resistência.

O Acre registrou taxa de 51,11 casos por 100 mil habitantes em 2025, ocupando a quinta colocação no país. À frente estão Roraima (73,09), Rondônia (70,55), Amapá (56,91) e Pará (54,21). O primeiro estado fora da região Norte na lista é o Paraná, com taxa de 44,34.

No cenário nacional, o Brasil contabilizou 57.329 ocorrências de estupro de vulnerável em 2025, o equivalente a 71% do total de 80.605 casos de estupro registrados no período. Ou seja, dois em cada três crimes dessa natureza envolveram vítimas consideradas vulneráveis pela legislação.

Em números absolutos, o Acre não aparece entre os estados com maior volume total de registros — ranking liderado por São Paulo (11.330 casos), seguido de Paraná (5.272), Pará (4.722), Minas Gerais (4.093) e Rio Grande do Sul (4.047). Ainda assim, proporcionalmente à sua população, o estado figura entre os mais impactados do país.

A legislação brasileira define estupro como a prática de conjunção carnal ou ato libidinoso mediante violência ou grave ameaça. A classificação como estupro de vulnerável se aplica quando a vítima tem menos de 14 anos ou não possui capacidade de consentimento em razão de enfermidade, deficiência intelectual ou outra condição.

Especialistas ouvidos na reportagem apontam que a alta incidência pode estar relacionada tanto a um aumento real dos casos quanto à redução da subnotificação, especialmente porque o estupro de menores de 14 anos possui notificação compulsória pelos serviços de saúde e assistência, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que, na maior parte dos casos, os autores são familiares, conhecidos ou pessoas próximas da vítima, o que reforça a predominância da violência no ambiente doméstico ou em círculos de confiança.

Os dados também mostram que a maioria das vítimas é do sexo feminino: 69.316 registros (86%) envolveram mulheres, enquanto 10.246 (12,7%) tiveram vítimas do sexo masculino e 1.043 (1,3%) não tiveram o sexo identificado.

Para especialistas, o enfrentamento do estupro de vulnerável exige articulação entre segurança pública, saúde e assistência social, além de políticas de prevenção e educação. O debate, no entanto, ainda enfrenta entraves institucionais e disputas ideológicas que, segundo analistas, acabam dificultando respostas mais eficazes e integradas.

Apesar de não figurar entre os estados com maior número absoluto de casos, o posicionamento do Acre entre as maiores taxas proporcionais do país acende um alerta sobre a dimensão do problema no estado e reforça a necessidade de políticas públicas específicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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