
O vestibular de Medicina da UFAC está envolvido em mais uma polêmica. Desta vez, as críticas são de um professor que trabalha há mais de cinco décadas na preparação de estudantes para vestibulares e o Enem.
Em uma carta aberta, destinada à população, à Ufac e à Cebraspe, banca responsável pela prova, Gilberto Hadad, 70 anos , engenheiro eletrônico, engenheiro mecânico, licenciado em física, que milita na educação há 52 anos trabalhando na preparação de alunos para vestibulares e Enem, fez questionamentos ao conteúdo da prova de física.
No documento, Gilberto afirma que observou uma série de inconsistências.
“A prova de Física apresentada continha 13 questões, das quais apenas 5 envolviam assuntos do ensino médio. Destas cinco questões, 3 tratavam do mesmo assunto, que é o eletromagnetismo, e 2 questões de dinâmica, sendo que uma delas deve ser anulada por não ter resposta correta e a outra necessita ter o gabarito trocado”, explica.
Em outro trecho, o professor afirma que a prova apresenta erros infantis. “Em discrepância ainda maior, a prova apresentou erros infantis como unidade de campo elétrico sendo N/m², conceitos inexistentes na física como expansão isovolumétrica, e velocidade da luz como 3×10 km/s, que ultrapassa a velocidade limite do universo”, cita.
A UFAC, assim como a Cebraspe, foram procuradas, mas não se manifestaram até o momento. O espaço segue à disposição, caso as instituições tenham interesse em se manifestar.
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO, À UFAC E AO CEBRASPE
Prezados Senhores,
Venho por meio desta manifestar minha posição em relação às recentes mudanças no processo seletivo do curso de Medicina da UFAC.
Em primeiro lugar, gostaria de elogiar a UFAC pela decisão de retirar o curso de Medicina do ENEM. No entanto, ao mesmo tempo que reconheço este avanço, não posso deixar de criticá-la por não se preocupar adequadamente com a gestão da empresa contratada para elaborar a prova.
Trago comigo uma experiência de 52 anos trabalhando no ensino médio com vestibular e com o ENEM, especialmente no tocante da parte de Física. Esta longa trajetória me permite avaliar com propriedade as questões relacionadas aos processos seletivos.
Observei uma séria inconsistência no edital elaborado pelo CEBRASPE, que afirma que a prova de Ciências da Natureza seguirá o estilo da grade do ENEM. Entretanto, a prova de Física apresentada continha 13 questões, das quais apenas 5 envolviam assuntos do ensino médio. Destas cinco questões, 3 tratavam do mesmo assunto, que é o eletromagnetismo, e 2 questões de dinâmica, sendo que uma delas deve ser anulada por não ter resposta correta e a outra necessita ter o gabarito trocado.
As outras questões traziam conteúdos de ensino superior que não se encontram em nível médio, como: variação de entropia que utiliza cálculo diferencial e integral, função de onda, variação do campo elétrico numa onda eletromagnética. Em discrepância ainda maior, a prova apresentou erros infantis como unidade de campo elétrico sendo N/m², conceitos inexistentes na física como expansão isovolumétrica, e velocidade da luz como 3×10 km/s, que ultrapassa a velocidade limite do universo.
Tais equívocos nos deixam indignados, considerando que o aluno passa um ano se preparando para uma prova cujo conteúdo foi prometido no edital e, pelo que aparenta, a referida banca não conhecia seu próprio edital.
Esta situação demonstra claramente a falta de critério técnico e pedagógico na elaboração do exame, contradizendo frontalmente o que foi estabelecido no edital e desrespeitando os candidatos que se dedicaram à preparação.
Sugerimos que no próximo vestibular a UFAC designe uma comissão composta por professores do quadro da instituição para gerir se a prova está dentro do conteúdo programático, para que não ocorra uma nova tragédia como a ocorrida.
Atenciosamente,
Gilberto Hadad







