Rio Branco, 18 de abril de 2026.

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Fevereiro Roxo: Campanha chama atenção para a fibromialgia e a luta por direitos no Acre

O mês de fevereiro marca uma importante campanha de conscientização: o “Fevereiro Roxo”, dedicado às doenças de lúpus, fibromialgia e alzheimer. A campanha é fomentada por entidades médicas, Organizações não Governamentais (ONGs), prefeituras, governos estaduais e municipais, e visa informar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce em casos como esses.

Criada em 2014, na cidade de Uberlândia (MG), a iniciativa traz como lema a frase: “Se não houver cura, que haja conforto”. A iniciativa reforça ainda a importância do tratamento adequado e do acolhimento às pessoas que convivem diariamente com essas condições. Apesar de distintas, as doenças têm em comum o fato de não possuírem cura, o que torna essencial o cuidado contínuo e o respeito aos pacientes.

Presidente da Afibrac, Lene Queiroz, fala sobre incentivo ao diagnóstico precoce. Foto: Cedida

No caso da fibromialgia, o Fevereiro Roxo tem um papel ainda mais específico: combater o preconceito em torno da dor crônica e invisível. Quem destaca é a presidente da Associação dos Fibromiálgicos do Estado do Acre “Daniel Lenz” (Afibrac-DL), Lene Queiroz.

“Em relação à fibromialgia, o objetivo é alertar e incentivar sobre o diagnóstico precoce, promover o acolhimento aos pacientes, o tratamento adequado e combater o preconceito contra a dor crônica e invisível”, explica.

Conheça a Afibrac-DL

A Afibrac-DL nasceu da união de pessoas acometidas pela fibromialgia e por outras doenças relacionadas, que se conheceram inicialmente por meio de um grupo de WhatsApp. A associação tem como missão promover acolhimento, dar visibilidade à causa, lutar pela inclusão social e pelo reconhecimento dos direitos das pessoas fibromiálgicas no Acre.

A entidade leva no nome a memória de Daniel Lenz, fundador da Associação Nacional de Fibromiálgicos (Anfibro), uma das principais referências na luta pelo reconhecimento da fibromialgia no Brasil. Daniel faleceu em março de 2021, vítima da Covid-19, mas deixou um legado que segue inspirando ações em todo o país.

“A Afibrac-DL nasceu da necessidade de união. Nosso objetivo é lutar pelos direitos, garantias e reconhecimento da fibromialgia aqui no Estado do Acre”, afirma Lene.

Um avanço importante para essa luta foi a entrada em vigor da Lei nº 15.176/2025, que altera a legislação anterior e institui um programa nacional de proteção dos direitos da pessoa acometida por fibromialgia, fadiga crônica, síndrome complexa de dor regional e outras doenças correlatas.

A lei reafirma o direito ao cuidado integral e à avaliação biopsicossocial, além de reconhecer a fibromialgia como deficiência (PCD), quando comprovada a incapacidade laboral.

“Essa lei representa um avanço importante no reconhecimento da dor crônica e da fibromialgia no ordenamento jurídico, reafirmando direitos e a necessidade de cuidado integral”, destaca.

Desafios no Acre

Apesar dos avanços legais, os desafios ainda são muitos no Acre. Segundo a presidente da Afibrac-DL, pacientes enfrentam demora no atendimento especializado, especialmente na Fundação Hospitalar, onde há casos de pessoas aguardando retorno com reumatologista por meses ou até mais de um ano.

“Muitos pacientes fazem exames particulares, porque não tem no SUS, com muito sacrifício. Quando chega o momento do retorno, eles não são chamados, os exames vencem, as receitas vencem e o paciente fica prejudicado”, relata.

Outro ponto de preocupação é a falta de capacitação dos profissionais de saúde e o desrespeito às leis de atendimento preferencial, o que acaba gerando situações de constrangimento e humilhação dentro das unidades de saúde.

“Ainda existe muito desrespeito. Muitos pacientes são humilhados quando pedem atendimento preferencial, mesmo com leis municipais e estaduais garantindo esse direito”, denuncia.

Para Lene, o Fevereiro Roxo também é um momento de fortalecer quem convive com a doença diariamente e incentivar a busca por dignidade e qualidade de vida.

“Sei que a dor é invisível para muitos, mas ela é real e constante. A fibromialgia não define sua força, apenas o seu ritmo. Cada dia em que você levanta e continua é uma vitória. Seja gentil com seu corpo e sua mente”, afirma.

A presidente ainda reforça que buscar o reconhecimento da condição não é um privilégio, mas um direito:

“Continue buscando sua qualidade de vida com coragem. Sua dor é válida e seus direitos também. A lei que reconheceu a fibromialgia como deficiência abre portas para tratamentos públicos adequados, prioridade, e até benefícios previdenciários, desde que comprovada a incapacidade laboral. Buscar o reconhecimento da sua condição não é luxo, é busca por dignidade. Documente tudo, informe-se com um advogado de sua confiança que seja especialista na área e faça valer sua voz”, disse.

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