
O Brasil possui apenas duas universidades com curso de Astronomia Foto: Everton Monteiro
Da sala de aula em Rio Branco para “os céus” do Rio de Janeiro. A história de Matheo Sá Chagas de Carvalho, de 17 anos, é daquelas que emocionam não apenas pela conquista, mas pelo caminho trilhado até ela. Aprovado no curso de Astronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o jovem acreano transforma um sonho construído com disciplina, curiosidade e incentivo em realidade.
Filho do engenheiro químico e professor universitário Carlos Eduardo Garção de Carvalho, conhecido como professor Garção, da Universidade Federal do Acre, e da enfermeira Rafaella Chágas, Matheo cresceu cercado por livros, ciência e conversas sobre pesquisa. Mas a escolha pelo caminho das exatas foi genuinamente dele.
“Eu sempre tive muito contato com ciências no geral porque meu pai é professor de química. Eu tive essa influência em casa e fui estudar, me aprofundei e gostei”, conta.

Foi no nono ano do ensino fundamental que ele percebeu que Física e Matemática despertavam algo diferente. Desde então, traçou uma meta ousada: queria o ITA. Estudou com foco, disciplina e estratégia, mas sem abrir mão da escola e da convivência com os amigos.
“Cheguei no terceiro ano, fiz a prova do ITA e não passei. Então fui recalcular a rota e prestei o Enem. Pesquisando, descobri que no Brasil, existem dois cursos de Astronomia, o da Federal de Sergipe e da Federal do Rio de Janeiro, passei e escolhi o RJ.”
A frustração inicial se transformou em redirecionamento. E foi justamente essa capacidade de recalcular a rota que o levou ainda mais longe.
“Foi muito bom ver meu nome na lista de aprovados. Por mais que eu estivesse confiante, estava nervoso e receoso de ter esquecido alguma etapa do processo. Minha expectativa é estudar muito, viver uma imersão cultural, porque além das pessoas do Rio, tem estudantes de diversos estados também.”
Curiosidade ou destino?
Como se o destino já desse sinais, Matheo descobriu recentemente um detalhe curioso: nasceu no Dia Mundial da Astronomia, 8 de abril. Mas de sorte a aprovação não tem nada, na verdade Matheo comemora consciente de que o preparo foi fundamental.

“Foi muito bom ver meu nome na lista de aprovados. Por mais que eu estivesse confiante, estava nervoso e receoso de ter esquecido alguma etapa do processo. Minha expectativa é estudar muito, viver uma imersão cultural, porque além das pessoas do Rio, tem estudantes de diversos estados também.”
Há 10 anos no Colégio AME, ele carrega no discurso a gratidão pela base construída dentro da escola. Segundo Matheo, a metodologia foi essencial para o desempenho no Enem.
“A plataforma da Somos que o Colégio AME usa, a metodologia de simulados ajuda bastante na hora do Enem. Os professores exploram bem os conteúdos, porque a plataforma é muito parecida com o Enem e isso ajudou bastante.”

A mãe, Rafaella, fala com emoção sobre a trajetória do filho e conta que a escola foi determinante.
“Ele sempre foi muito dedicado. Tinha dias que eu precisava tirar ele da escrivaninha, mas por gosto próprio, não era imposição nossa. Porém a escola foi um divisor de águas na vida dele. Pelo acolhimento que deu pra ele e pra nós enquanto pais, o método, a proposta pedagógica, a plataforma com acesso 24 horas, simulados, redações… A base de tudo foi aqui na escola AME.”
Emocionado, o pai, professor Garção, resume o sentimento que palavras não alcançam: “Eu dei aula por 15 anos no ensino médio e em preparatórios, hoje sou professor universitário. Tenho vários alunos doutores, bem posicionados. Mas ver isso com o filho… não tem palavras para definir minha felicidade.”
Foco, apoio e suporte
Os pais deixam claro: a tríade que colaborou com o êxito de Matheo foi o foco no que havia escolhido, além do apoio familiar e o suporte escolar.

“Foi uma surpresa, porque nós sempre trabalhamos para que ele escolhesse a própria área, mas quando ele me falou, me comprometi em estudar junto. Foi um desafio, porque ele não fez cursinho nenhum.”, afimou o professor Garção.
Na escola, o orgulho é coletivo. A coordenadora Elândia Dantas relembra um momento marcante:
“No ano passado ele disse: ‘Elândia, se eu não passar no Enem me contrata pra eu trabalhar aqui na escola’. Ele entrou aqui muito pequeno e a gente cria laços. A escola é mais que números: acolhe, conversa, incentiva, aconselha. Eu espero recebê-lo aqui para motivar outros alunos.”, afirma.

O professor Márcio Brandão de Mendonça, representando todos os educadores que passaram pela trajetória de Matheo, resume o sentimento de missão cumprida: “Estou feliz e sonhando junto com ele. Quando decidi ser professor, quis fazer parte da vida dos alunos para realizar sonhos com eles. Ver isso se materializando é o meu sucesso também.”
No próximo domingo, 1° de março, Matheo embarca para o Rio de Janeiro para viver um novo capítulo. Leva na mala sonhos, livros, coragem e o apoio incondicional da família e da escola que ajudaram a moldar sua trajetória.
Nas entrelinhas dessa história, fica uma certeza poderosa: quando o foco nos estudos encontra incentivo, método e acolhimento, sonhos deixam de ser distantes e passam a ser destino.






















