Rio Branco, 19 de maio de 2026.

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Lei da Semeadura (edição especial para espertinhos autodeclarados)

Existe uma lei universal que funciona melhor do que Wi-Fi em aeroporto: a famosa lei da semeadura. Você planta, você colhe. Simples. Rural. Quase didática. Quase. Também conhecida como “aqui se faz, aqui se paga”, ela, curiosamente, sempre entrega no endereço certo — às vezes com juros e correção monetária emocional.

Mas há quem jure ter descoberto um bug nesse sistema universal. Normalmente, são aquelas pessoas que se veem como o verdadeiro alecrim-dourado: raro, único, iluminado, destinado a carregar sobre os ombros a árdua missão de ser o mais inteligente e esperto do planeta.

São os que acreditam sinceramente que só eles pensam. Que só eles sabem. Que só eles enxergam. O resto da humanidade? Um público cativo, assistindo ao espetáculo da genialidade alheia. Jogam xadrez, enquanto todos os outros se contentam com damas.

O curioso é que, no tabuleiro da vida, às vezes o peão humilde atravessa todo o campo e se transforma em rainha. Já o rei soberano? Basta um movimento em falso.

O mais fascinante é que certas pessoas vivem como se o universo tivesse memória seletiva. Como se cada ato fosse apagado automaticamente após 24 horas, igual stories. Mas o karma é paciente. Ele não grita. Não ameaça. Não posta indireta. Ele apenas observa… faz anotações… e entrega o recibo no momento mais pedagógico possível.

Quem se acha esperto demais, na pressa de parecer brilhante, esquece que a mentira tem perna curta. E, como toda corrida de perna curta, ela tropeça sozinha. Não precisa de empurrão.

É impressionante como algumas pessoas se surpreendem quando o terreno começa a devolver exatamente o que foi espalhado. “Mas eu não tinha a intenção de prejudicar, eu só falei por falar”, dizem, enquanto seguram um saco de sementes claramente rotulado como “veneno social”.

O mais fascinante é que a lei da semeadura não trabalha com vingança. Trabalha com consequência. E, claro, essas mesmas pessoas se fazem de vítimas quando a própria plantação começa a dar frutos. “Eu não entendo por que isso está acontecendo comigo…” Entende sim. Só não gosta da resposta. Afinal, o plantio até pode ser opcional. Mas a colheita, meu bem, vem registrada, protocolada e com entrega garantida.

Moral da história (que não é indireta, é quase um manual):

Mentira corre rápido. Verdade chega depois… mas chega com print.

Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.

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