
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgada na última sexta-feira, 20, referente ao último trimestre de 2025, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a taxa de desemprego nesse período no Acre foi de 6,6 %, uma das menores dos últimos anos. Entretanto, esse número se torna mais preocupante entre aqueles que não concluíram o ensino médio.
Segundo a pesquisa, a taxa de desocupação para pessoas com ensino médio incompleto no estado foi de 9,1%, um número maior do que os demais níveis de instrução analisados. Para quem possui ensino médio completo, por exemplo, essa porcentagem é reduzida para 8%, seguida de 5,5% para quem possui ensino superior incompleto e para apenas 3% aos que possuem ensino superior completo.
Segundo a gestora de Recursos Humanos e especialista em Mercado de Trabalho, Raquel Albuquerque, esse número está ligado diretamente à baixa qualificação formal exigida pelo mercado. Mesmo para funções operacionais, empresas estabelecem como critério mínimo o ensino médio completo, o que acaba excluindo uma parcela significativa da população de oportunidades formais de emprego.
“No contexto do Acre, esse cenário se torna ainda mais desafiador devido ao mercado mais restrito e à menor diversidade de setores econômicos. Além disso, temos observado um movimento crescente de êxodo, principalmente de jovens e adultos em busca de oportunidades em estados do Nordeste e em outras regiões, onde há maior dinamismo econômico e oferta de vagas. Isso impacta diretamente a competitividade local e também revela uma percepção de limitação de crescimento profissional no estado”, aponta.
O que fazer?
Segundo a gestora, a principal orientação para esse público é investir na conclusão do ensino médio. É possível concluir o diploma através da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com turmas disponíveis em diversas escolas públicas do Estado, ou mesmo particulares, a exemplo do SESI, que oferece matrículas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
“Paralelamente, é fundamental buscar cursos profissionalizantes de curta duração, especialmente em áreas com demanda local, como comércio, serviços, atendimento, logística e construção civil”, explicou.
Como especialista em Mercado de Trabalho, Albuquerque também alerta para a importância do desenvolvimento de competências comportamentais, como “responsabilidade, comunicação e comprometimento”, que são valorizadas nos processos seletivos.
“Mesmo em mercados mais enxutos, profissionais que demonstram qualificação e postura diferenciada ampliam suas chances de inserção e crescimento. A qualificação não é apenas um diferencial, mas um fator determinante para a empregabilidade e para a redução das desigualdades no acesso ao trabalho formal”, disse.








