
Cerca de 50 trabalhadores da Fábrica de Tacos, que atua no setor madeireiro em Xapuri, realizaram um protesto nesta segunda-feira, 2, para cobrar o pagamento de salários atrasados, verbas rescisórias e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que, segundo eles, estão pendentes há meses.
Conforme os trabalhadores, eles estão há mais de cinco meses sem receber e denunciam que não possuem nenhum tipo de resposta por parte dos responsáveis pela empresa.
De acordo com os funcionários, parte do grupo era contratado de forma terceirizada e, mesmo após o desligamento, não houve o pagamento do salário do último mês, nem da multa rescisória ou do FGTS. Além disso, eles também relatam dificuldades para conseguir um novo emprego, já que a carteira de trabalho ainda permanece assinada.
“Nós trabalhamos e não recebemos salário do mês, está tudo trancado. A gente não pode arrumar outro trabalho porque a carteira ainda está assinada. Não recebemos nada, nem salário, quanto mais FGTS ou multa rescisória. Eu só estou querendo o meu direito, porque trabalhei como cidadão”, afirmou uma das funcionárias, chamada Daiane.

Outro questionamento feito pelos manifestantes se refere a continuidade da retirada de madeira do local, mesmo com a alegação da empresa de que não há recursos para quitar os débitos trabalhistas. Segundo os relatos dos trabalhadores, os caminhões continuam saindo da fábrica com frequência.
“Eles dizem que não têm dinheiro, mas quase todo dia sai madeira daqui. Então para onde está indo esse dinheiro? Se tivesse a intenção de pagar a gente, estavam pagando nem que fosse devagar”, declarou Maurício, um dos trabalhadores, durante a manifestação.
Com a falta de respostas por parte dos responsáveis pela empresa, os funcionários decidiram permanecer no local até que a situação seja resolvida e tenham algum posicionamento concreto. Os manifestantes afirmam ainda que pretendem acampar em frente à fábrica e não irão permitir a saída de madeira até que haja uma solução para tudo isso.
“A gente não está atrás de dinheiro emprestado, nem de bagunça. A gente quer o que é nosso. Temos filhos, pensão para pagar, aluguel, e tem gente que nem consegue outro trabalho por causa da carteira assinada”, reforçou Maurício.
Entre os trabalhadores a se posicionarem sobre a situação, está o funcionário Fábio. De acordo com ele, foi feito um acordo para que o pagamento fosse feito de forma parcelada, entretanto, a empresa não cumpriu o que foi combinado.
“A gente aceitou o acordo para parcelar, para beneficiar a empresa, mas eles não estão honrando a palavra. Eram cinco parcelas e nós só recebemos uma. Mandamos mensagem para o RH de Rio Branco e ninguém responde mais. Quem era o gerente daqui também não responde ninguém. Então, fica complicada a situação”, detalhou Fábio.

A reportagem do Portal Acre entrou em contato com os responsáveis pela empresa para obter um posicionamento sobre essa situação, além de questionar se há uma previsão para regularização dos pagamentos. Segundo Alisson Cerqueira, diretor da empresa, foi encaminhado um comunicado aos funcionários explicando a situação atual.
“Na comunicação, informamos que existem cargas no porto em processo de liberação e que a expectativa da empresa é utilizar esses recursos para a regularização das pendências com os colaboradores, embora ainda não haja data definida, por depender de trâmites logísticos, legais e comerciais”, afirmou.
Conforme o diretor, também foi disponibilizado aos trabalhadores o contato direto do proprietário. “Para que possam buscar esclarecimentos diretamente com o proprietário da empresa. Seguimos à disposição para contribuir com as informações que estejam ao nosso alcance como funcionários. Até porque somos funcionários também e queremos que tudo isso se resolva o mais rápido possível”, disse.








