Rio Branco, 1 de maio de 2026.

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Mestrandos de Xapuri são destaque em livro que debate educação e linguagens na Amazônia

A produção acadêmica acreana ganha destaque nesta sexta-feira (20) com o lançamento do livro Educação e Linguagens: ecoar vozes outras pela agência transgressiva e decolonial no sul do sul-Global. O evento será realizado às 15h, no auditório do Instituto Federal do Acre (Ifac), em Xapuri, e é aberto ao público.

A obra nasceu a partir da disciplina Educação e Linguagens, ofertada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Acre (Ufac), e reúne reflexões desenvolvidas por professores e estudantes, com forte presença da produção acadêmica do interior do estado.

Organizado pelas professoras doutoras Grassinete Oliveira, Salete Peixoto e Rute Borges, o livro conta com 18 capítulos divididos em quatro partes. Os textos abordam temas como linguagens e ensino, educação decolonial, identidade, educação ambiental, territorialidades amazônicas, inclusão, gestão escolar e políticas públicas.

Um dos aspectos mais marcantes da publicação é o protagonismo local: 14 dos 18 capítulos foram escritos por estudantes do mestrado em Educação do campus de Xapuri, evidenciando o fortalecimento da pesquisa acadêmica na região.

A capa do livro também carrega um símbolo da cidade: o “túnel das seringueiras”, na entrada de Xapuri, fotografado pela xapuriense Meure Amorim.

Educação como prática crítica e transformadora

A obra propõe uma reflexão sobre a educação a partir de uma perspectiva crítica e decolonial, conectada às realidades da Amazônia. Parte da ideia de que educação e linguagem são práticas sociais e políticas, capazes de questionar desigualdades e valorizar saberes historicamente marginalizados.

Segundo a professora Rute Borges, a publicação representa um marco importante para o reconhecimento da produção intelectual da região.

“Estamos falando de um livro que nasce no Acre e valoriza tantas vozes, com um compromisso comum de pensar a sociedade a partir de uma perspectiva crítica e decolonial. É uma obra muito significativa, especialmente para os colegas de Xapuri”, afirmou.

Olhar a partir do “sul do sul-Global”

De acordo com a professora Grassinete Oliveira, a proposta do livro foi construída a partir das discussões em sala de aula e ganhou força ao dialogar com as experiências dos próprios estudantes.

“O livro se situa no espaço amazônico e considera o lugar de fala dos autores, que vivem e pesquisam essa realidade. Mais do que falar do sul global, buscamos evidenciar o ‘sul do sul-Global’, que muitas vezes permanece invisibilizado”, explicou.

A obra também aborda as desigualdades históricas e os estereótipos enfrentados pela região Norte que manifestam a xenofobia e o preconceito linguístico com menosprezo, piadas e chacotas, a exemplo de “O Acre existe?”, “No Acre tem dinossauro?”, “No Acre só tem índio”, reforçando a importância de uma educação comprometida com o território, a cultura local e a transformação social.

Evento aberto ao público

O lançamento em Xapuri marca não apenas a divulgação de um livro, mas também o reconhecimento da produção acadêmica construída no interior do Acre. A expectativa é reunir estudantes, professores e a comunidade em geral em torno do debate sobre educação, linguagem e identidade amazônica. O evento é gratuito e aberto ao público.

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