Rio Branco, 21 de maio de 2026.

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Seis meses após morte de jovem em motel no Acre, família cobra laudo cadavérico e suspeita de feminicídio

Rayza foi encontrada morta, despida, em um quarto de motel em setembro do ano passado – Foto acervo pessoal

Seis meses após a jovem Rayza Emanuelle de Oliveira Souza, de 26 anos, ter sido encontrada sem vida em um motel em Rio Branco, a família segue sem respostas conclusivas sobre o caso e cobra celeridade das autoridades. Até o momento, o laudo cadavérico, considerado peça-chave para esclarecer a causa da morte, ainda não foi finalizado.

O caso, que já havia ganhado repercussão após a divulgação de que o laudo toxicológico não apontou presença de álcool ou drogas no organismo da vítima, continua cercado de dúvidas. Para os familiares, a hipótese de overdose é descartada, enquanto cresce a suspeita de feminicídio.

Em relato à reportagem, um familiar, que preferiu não se identificar por medo, afirmou que a demora na conclusão do laudo traz sofrimento e sensação de impunidade.

“Hoje, são seis meses da morte da Rayza e nada da justiça ser feita. Estamos esperando o laudo cadavérico. Informações apontam que não foi overdose, já que o toxicológico deu negativo. Acreditamos que seja feminicídio e o culpado está solto”, disse.

Segundo a família, há indícios que levantam questionamentos sobre a dinâmica da morte. Eles relatam que o corpo da jovem apresentava sinais que poderiam indicar tentativa de defesa.

“O pescoço dela estava inchado e havia marcas de unha na região do pescoço e do rosto, o que pode indicar tentativa de defesa”, afirmou o familiar.

Outro ponto destacado é a conduta no local onde o corpo foi encontrado. De acordo com os relatos, o homem que estava com a vítima teria deixado o quarto pouco tempo após entrar, sem que houvesse verificação imediata por parte do estabelecimento.

“A gente acredita que ele saiu minutos depois e o motel não foi até o quarto, nem ligou para confirmar a saída. Para a família, isso levanta ainda mais dúvidas sobre o que aconteceu”, completou.

Diante da falta de respostas, a família afirma ter buscado apoio em órgãos de controle. Uma manifestação foi protocolada junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além de uma reclamação feita anteriormente na ouvidoria do Ministério Público do Acre.

No documento, os familiares relatam que aguardaram os prazos iniciais informados pela investigação, mas que, mesmo após sucessivas esperas, o laudo não foi entregue. Eles também destacam que, até o momento, não houve denúncia formal à Justiça.

“Para a família não importam as burocracias alegadas pelas autoridades. A vítima foi encontrada morta em um motel, o quarto estava trancado, houve coleta de imagens e o suspeito já foi interrogado, mas não existe denúncia junto ao Poder Judiciário”, diz trecho da manifestação.

Ainda segundo o relato, o principal suspeito do caso segue em liberdade.

“A família quer, pura e simplesmente, justiça”, finaliza o documento.

Raiza deixou dois filhos pequenos. O menor ainda vai completar quatro anos.

A reportagem do Portal Acre procurou a assessoria da Polícia Civil para um posicionamento sobre a reclamação da família, mas não obteve retorno. O posicionamento será acrescido, caso haja uma manifestação.

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