Maria Mariana Mota (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró
Um estudo publicado pela Agência Brasileira de Inteligência aponta que o Acre ocupa posição estratégica nas rotas de contrabando de migrantes no país. O principal fator para essa posição do estado se deve à localização na tríplice fronteira com Peru e Bolívia. A publicação do estudo foi realizada nesta terça-feira, 28, em Brasília, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações.
De acordo com o relatório, o Brasil se firmou como país de origem, trânsito e destino dessas rotas. Nesse sentido, o Acre tem relevância por servir como abertura e passagem. A BR-317, que liga Rio Branco a cidades de fronteira, é uma das principais vias utilizadas por migrantes estrangeiros que seguem rumo às regiões Sul e Sudeste.

Além disso, a atuação das redes é mais fragmentada e pouco organizada. Envolve intermediários como taxistas, donos de hospedagens e atravessadores que cobram por transporte, facilitação de travessias e abrigo. Em alguns casos, o deslocamento inclui travessias improvisadas pelo Rio Acre. Apesar da movimentação intensa, ainda tem muita subnotificação, já que muitos migrantes evitam denunciar abusos por medo ou desconhecimento.
Além do recorte regional, o estudo mostra que o contrabando de migrantes é um crime complexo, que envolve nacionalidades diversas, com redes descentralizadas e uso contínuo de tecnologias digitais para aliciamento. Aplicativos de mensagens e redes sociais têm sido utilizados para atrair migrantes e coordenar as rotas, muitas vezes sob a aparência de serviços legalizados.








