Rio Branco, 20 de maio de 2026.

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Dia do Jornalista: encontro de gerações no “Sem Filtro” destaca desafios, ética e paixão pela profissão

Apresentado pela jornalista Daigleíne Cavalcante, o podcast “Sem Filtro” traz episódios com bate-papos sobre diversos assuntos – Foto: Lucas Dourado

No Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira, 7, o podcast Sem Filtro, do Portal Acre, reuniu três profissionais da comunicação para um bate-papo sobre os bastidores da profissão, os dilemas éticos, os desafios do tempo presente e o amor que ainda move quem escolhe, ou é escolhido, pelo jornalismo.

Apresentado pela jornalista Daigleíne Cavalcante, o episódio teve como convidados o editor-chefe do Portal Acre, Leônidas Badaró, e o repórter do site Contilnet, Everton Damasceno. Em comum, além da profissão, os três compartilharam trajetórias marcadas pela descoberta gradual de que o jornalismo não é apenas um trabalho, mas uma forma de estar no mundo.

Escolha ou chamado

Um dos pontos do bate-papo foi a relação de cada um com a profissão. Para Everton Damasceno, o jornalismo chegou antes mesmo de uma decisão racional.

“Acho que ele me escolheu”, disse o repórter, ao lembrar que foi incentivado pela jornalista Vânia Pinheiro ainda muito jovem, quando demonstrava facilidade com a comunicação.

Badaró também relembrou o início da trajetória, ainda no rádio, em Xapuri, e disse que bastaram poucos segundos diante de um microfone para perceber o que queria fazer da vida.

“Eu acho que, com 30 segundos que eu estava naquele estúdio, eu descobri o que eu queria fazer da vida”, afirmou.

Para Cavalcante, o processo de se encontrar na profissão veio apenas com a experiência como jornalista – Foto: Lucas Dourado

Daigleíne Cavalcante, por sua vez, contou que o reconhecimento de que o jornalismo seria sua profissão veio com o tempo, depois de experiências no rádio, na TV, em assessoria e em agências de notícias.

Profissão com papel social

Para os profissionais, o jornalismo vai além da produção de conteúdo e carrega uma responsabilidade social que se revela, muitas vezes, no contato direto com as pessoas e suas dores.

Damasceno lembrou de uma cobertura sobre uma greve da educação, quando ouviu o relato emocionado de uma professora e percebeu o peso do ofício.

“Naquele momento eu falei assim: cara, agora eu estou me sentindo jornalista. Eu acho que é isso. Eu cumpri um papel social”, disse.

Ética, responsabilidade e limites

O episódio também abordou os desafios atuais da profissão, sobretudo diante da velocidade da informação, da polarização e da pressão constante das redes sociais.

Para Badaró, há uma diferença fundamental entre rapidez e irresponsabilidade.

“Ser rápido é importante. Ser irresponsável é outra coisa”, disse.

Segundo Damasceno, toda informação jornalística precisa estar ancorada em dados, fontes e responsabilidades, especialmente num cenário em que opiniões apressadas e conteúdos sem apuração se misturam com facilidade ao noticiário.

Para o jornalista Everton Damasceno, a notícia não pode ser utilizada de forma irresponsável – Foto: Lucas Dourado

“A gente tem uma arma na mão. E essa arma pode destruir a vida de alguém se ela for usada de forma irresponsável”, afirmou.

Jornalista não é “influencer”

Outro ponto discutido foi a diferença entre jornalismo e produção de conteúdo para redes sociais. Os convidados reconheceram a importância e a legitimidade do trabalho de influenciadores digitais, mas defenderam que as áreas não devem ser confundidas.

Para Damasceno, o jornalista não pode se colocar acima da notícia.

“A notícia nunca pode, ao ser levada por mim, estar atrás da minha imagem. Ela sempre tem que estar à minha frente”, declarou.

Os participantes defenderam que o compromisso central do jornalismo não é fabricar celebridades, mas informar com seriedade.

Liberdade de expressão e pressões

A conversa também tratou das pressões sofridas por jornalistas, seja por figuras públicas ou pelo ambiente político e institucional.

O editor-chefe do Portal Acre destacou as pressões sofridas pelos jornalistas – Foto: Lucas Dourado

Badaró observou que, em estados pequenos como o Acre, onde todos se conhecem, o jornalista convive com um ambiente ainda mais delicado de pressões e interpretações.

“Eu amo quando alguém me chama de bolsonarista e na semana seguinte eu sou lulista. Isso prova que eu estou dando certo”, disse.

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