
Vamos por parte, sem paixões, tentando ser o mais racional possível. As mudanças em áreas estratégicas da gestão são necessárias para Mailza. Ou ela coloca sua marca na gestão ou vai ser uma sombra de Gladson Camelí. E isso pode lhe custar a ida ao segundo turno das eleições. Normal que a Mailza escolha seus secretários, pessoas de mais confiança e que tenham o perfil que lhe agrada.
Mas e o Gladson?
Simples, o Gladson agora é ex-governador e vai ser candidato, provavelmente, o mais votado ao Senado. Claro que seu apoio tem um peso muito grande para Mailza, mas não resolve por si só. Se engana quem pensa que existe essa transferência de votos de um para ou outro. No Acre, só aconteceu uma única vez, que foi quando Jorge Viana elegeu Geraldinho Mesquita para o Senado, que era um completo desconhecido. Hoje, a realidade é bem diferente e Mailza precisa mostrar porque ela é a melhor escolha para o Palácio Rio Branco. As pessoas vão, ou não, votar nela e não em Camelí. Até porque, sejamos sinceros, a popularidade de Gladson está muito mais condicionada ao seu carisma, do que aos resultados de sua gestão.
Gladson vai é correr atrás dos votos
Outro detalhe que passou despercebido e que é preciso se atentar. Apesar de achar que Gladson é favorito e deve ser o mais votado ao Senado em outubro, ele vai precisar gastar sola de sapato e contar com a grande estrutura que tem para se eleger. Se a última pesquisa do Instituto Delta, encomendada pela TV Gazeta, estiver certa, Camelí tem apenas 28% das intenções de votos. Apesar de liderar, é muito pouco para o fenômeno de popularidade que é e pelos números bem maiores que já apresentou em pesquisas anteriores.
JV vem forte

Falando em Jorge Viana, a impressão que tenho é que o ex-governador do Acre teve a seguinte conversa em Brasília: “Eu vou, mas me deem condições de brigar por uma vaga, não vou apenas para fazer figuração e garantir palanque para Lula”. Pelo jeito, ele foi atendido. O anúncio quase bilionário do pacote de investimentos que incluem a reconstrução da BR-364 e o Anel Viário de Brasiléia mostram que Jorge vem para brigar por uma vaga.
Lula não quer votos do Acre, quer mesmo é um Senador em Brasília
Outra coisa, essa história de palanque para Lula no Acre é uma meia-verdade. Deixem de história, o nosso estado representa apenas 0,39% do eleitorado do país. Ou seja, interfere praticamente nada no resultado de uma eleição nacional. Outra coisa, das certezas que o Lula tem na vida é que ele vai perder no Acre, como sempre acontece. O que o Palácio do Planalto quer mesmo é, em caso de reeleição do presidente, um Senador do PT pelo Acre a partir de 2027. Isso sim, faz a diferença. Um Senador acreano tem o mesmo peso de um Senador de São Paulo. Mais ainda quando se fala de um Jorge Viana da vida, que tem influência e é respeitado em todos os círculos políticos da capital federal.
Thor com quase 8% não é pouco
A última pesquisa do Instituto Veritá sobre a corrida ao Palácio Rio Branco deu que o médico Thor Dantas (PSB) tem 7,7% das intenções de voto. Parece pouco, mas não é. Eu explico. Fiquei com esse número na cabeça e nesses dias de Semana Santa ao ir no supermercado, conversei com muita gente. De 15 pessoas que perguntei, só uma sabia que Thor é candidato. Não tenho pretensão de ser o IBOPE, mas a minha informal “pesquisa” mostra que Thor pode até não ser um nome ruim, mas é um nome completamente desconhecido da população “comum”. O desafio é fazê-lo ser conhecido. Com o tempo e a estrutura de campanha que vai ter, é uma missão praticamente impossível.
O desafio de Sula

Transformar trabalho em votos. Não tem como dizer que Sula Ximenes não fez um belíssimo trabalho no Deracre. Impressionante como a mulher é um rolo compressor para trabalhar. E isso, em todos os municípios, elogiada pelos prefeitos, inclusive, pelos que são oposição ao atual governo. O desafio de Sula é conseguir transformar os resultados positivos em votos. Como ela vai fazer? Não sei, mas se conseguir, vem muito forte para a Aleac.
Saíram, mas continuam secretários
O título acima não é uma crítica, mesmo que possa parecer. Na verdade, é o reconhecimento do bom trabalho que alguns gestores fizeram e, por isso, conseguiram o feito que todo pré-candidato quer, que é sair e deixar um sucessor de seu grupo. Leia-se: Tchê (Seagri), Aberson (SEE), Sula (Deracre) e Minoru (FEM).
Aberson sempre valorizado
Aberson Carvalho foi exonerado e a primeira impressão é que vai ser candidato. Pode ser e pode não ser. O ex-secretário de Educação é um importante ativo de Mailza. Tanto que bastou ter seu nome ventilado para ser vice, que fez com o que o MDB e Jéssica Sales saíssem do “sono profundo” que estavam. Se Aberson não for candidato, vai ter papel decisivo neste novo governo e na campanha de Mailza Assis. Ele conhece do jogo e sabe movimentar as peças como poucos.
Os que queriam e os que conseguiram escapar
Rapaz, a vida de secretário não é fácil, mais ainda quando se faz um bom trabalho. Enquanto alguns dormiam e acordavam pensando na candidatura, por qual partido, se Gladson e Mailza iam mesmo convidá-los para ser candidato, outros tentaram resistir o quanto puderam para não enfrentar as urnas e ajudar Mailza continuando dando bons resultados na gestão. Neste caso específico, dois se destacam e conseguiram escapar de enfrentar o crivo das eleições: Assur Mesquita (Seict) e Taynara Martins (Detran).
O capiroto já foi anjo
Quando me deparo com a hipocrisia de alguns “cristãos” nas redes sociais citando a Bíblia, no lugar da indignação, eu sorrio e lembro que o capeta já foi um anjo hehehehehe