Rio Branco, 17 de abril de 2026.

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Na fronteira do Acre, a exploração sexual de meninas indígenas persiste como um crime invisível

Fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia – Foto reprodução

A exploração sexual e o tráfico de pessoas atingem mulheres e meninas indígenas na fronteira do Acre com Peru e Bolívia, mas são pouco visíveis nos dados oficiais e nas políticas públicas.

Uma análise cruzada de informações identificou 3.443 casos de violações de direitos humanos com indícios de tráfico de pessoas que não foram classificados dessa forma. A maioria das vítimas são meninas e 87% têm menos de 18 anos, muitas entre 10 e 14.

O Acre, com mais de mil quilômetros de fronteira terrestre e diversos pontos de travessia não oficial, enfrenta dificuldades históricas de fiscalização. Ramais, estradas vicinais e áreas de floresta facilitam a circulação e atuação de redes criminosas.

Nesse contexto, mulheres de povos como Manchineri e Jaminawa são frequentemente aliciadas. Muitas vezes, o deslocamento entre países é percebido como algo natural, o que dificulta a identificação do risco. Além disso, a ausência de registros com recorte étnico-racial contribui para o apagamento dessas vítimas.

Dados do Ministério Público do Acre mostram que, em mais da metade dos casos, não há informação sobre raça ou etnia. Esse vazio reflete falhas no registro e barreiras de acesso, não a inexistência dos crimes.

Embora o Disque 100 não registre oficialmente casos de tráfico de pessoas no estado entre 2020 e 2025, a reclassificação dos dados indica milhares de situações com características desse crime, como exploração sexual, cárcere privado e coação.

Muitas vítimas são atraídas por promessas de emprego, casamento ou melhores condições de vida, ou seja, nem sempre o tráfico envolve sequestro. Ao chegarem ao destino, enfrentam retenção de documentos, ameaças e dependência financeira.

A identificação do crime também é difícil na prática policial, já que exige comprovação da ação, meio e finalidade de exploração, em conjunto.

Outro fator crítico é o apagamento da identidade indígena. Por conta do racismo histórico, muitas mulheres deixam de se declarar indígenas e passam a ser registradas como “pardas”, distorcendo ainda mais os dados.

O enfrentamento ao problema se torna limitado devido à falta de registros adequados. Em muitos casos, o resgate das vítimas depende das próprias comunidades, sem devido apoio do Estado.

Desde o ciclo da borracha, povos indígenas da região enfrentam deslocamentos forçados e exploração. Hoje, essas dinâmicas persistem sob novas formas.

O desafio é tornar o problema visível para que possa, de fato, ser combatido.

Com informações da reportagem de Hellen Lirtêz da revista Azmina. Leia aqui a  matéria completa.

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