Rio Branco, 30 de abril de 2026.

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No Acre, Dia Nacional da Mulher convida à reflexão sobre o desafio urgente do feminicídio

Celebrado neste dia 30 de abril, o Dia Nacional da Mulher não é  uma data tão conhecida como o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, mas convida a sociedade a uma necessária reflexão sobre a luta histórica das mulheres brasileiras pela garantia de direitos, dignidade e igualdade.

Com uma origem profundamente ligada à realidade nacional, a data foi instituída em homenagem à enfermeira e pioneira da assistência social Jerônima Mesquita, uma das principais lideranças femininas do Brasil no início do século XX, em um período marcado pela desvalorização do papel da mulher na sociedade e ausência de direitos básicos, como o voto feminino, que só foi conquistado em 1932.

Mas, para muito além de uma mera homenagem, o Dia Nacional da Mulher reforça a necessidade de olhar para as condições concretas vividas pelas mulheres brasileiras. Em um país ainda marcado por desigualdades de gênero, violência doméstica e limitações no acesso a oportunidades, a data funciona como um chamado à ação tanto do poder público quanto da sociedade civil.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o feminicídio segue como uma das formas mais graves de violência de gênero no país, evidenciando a persistência desse problema estrutural. No contexto amazônico, essa realidade ganha contornos ainda mais urgentes. No Acre, por exemplo, o enfrentamento ao feminicídio é um dos grandes desafios contemporâneos.

No estado, a violência contra a mulher permanece como uma preocupação constante, exigindo ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores, como ocorreu na última terça-feira (28), quando um homem que matou a ex-mulher na frente da filha por não aceitar o fim do relacionamento foi condenado a 54 anos de reclusão em Rio Branco.  

Órgãos como a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp/Ac), Tribunal de Justiça (TJAC) e o Ministério Público (MPAC) atuam no fortalecimento de medidas protetivas e no atendimento às vítimas, embora desafios como a subnotificação e a dificuldade de acesso aos serviços ainda persistam, especialmente em áreas mais isoladas.

Ao mesmo tempo, o Acre também é território de resistência e protagonismo feminino. Mulheres seringueiras, ribeirinhas, indígenas e urbanas têm historicamente desempenhado papéis fundamentais na sustentação das comunidades e na defesa da floresta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a compreender esse cenário ao evidenciar a participação crescente das mulheres em diferentes setores, ainda que marcada por desigualdades.

Nesse contexto, organismos como a ONU Mulheres reforçam a importância de políticas públicas que promovam a equidade e combatam a violência, destacando que o enfrentamento ao feminicídio passa não apenas pela repressão, mas também pela prevenção e pela educação como maneira de promover uma transformação cultural.

Celebrar o 30 de abril, portanto, vai além do exercício fácil de reconhecer conquistas passadas. É também um momento de reafirmar os compromissos de ampliar políticas públicas de proteção, fortalecer redes de apoio, garantir acesso à justiça e promover uma cultura de respeito à mulher.

No Acre e em todo o Brasil, a data deve servir como um lembrete de que nenhuma sociedade pode avançar plenamente enquanto suas mulheres ainda enfrentam a violência como parte de sua realidade cotidiana.

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