Rio Branco, 1 de maio de 2026.

1250×250px Seu novo endereço te espera

Paciente denuncia negligência e violência obstétrica na Maternidade; nova gestão promete apurar e diz que vai adotar medidas para evitar novos casos

MBH
Nova direção da unidade de saúde prometeu apuração: Foto Arquivo Secom

Natural de Cruzeiro do Sul, Amynne Figueiredo, de 34 anos, denunciou, nas redes sociais, o que classifica como negligência e possível violência obstétrica durante atendimento na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco. O caso ocorreu na última segunda-feira, 20 e resultou na morte da filha da paciente, Maria Luísa, com apenas 22 semanas e 6 dias de gestação.

A reportagem do Portal Acre conversou com a paciente, que autorizou o relato. Segundo ela, a gestação não foi planejada, mas era um desejo antigo. Após um histórico de aborto espontâneo, a gravidez era acompanhada com atenção e, de acordo com exames realizados, evoluía normalmente.

Amynne conta que procurou a maternidade pela primeira vez no dia 10 de abril, após perceber uma secreção diferente.

“Fiquei das 11h às 19h aguardando atendimento e saí com o diagnóstico de que era uma secreção normal. Disseram que eu poderia voltar para casa e seguir normalmente”, relatou.

Dias depois, no sábado, 18, voltou à unidade após novos sinais, incluindo secreção com sangue e perda de líquido. Novamente, segundo Figueiredo, recebeu o mesmo diagnóstico e foi liberada.

Agravamento do quadro

Na madrugada de domingo para segunda-feira, 20, Amynne passou a sentir cólicas mais intensas. Pela manhã, foi trabalhar, mas as dores aumentaram e passaram a ocorrer de forma ritmada. Ao retornar à maternidade, Figueiredo relata que a bolsa rompeu ainda no momento do atendimento inicial.

“Eu cheguei no balcão, dei bom dia, e a bolsa estourou. Ficaram olhando, sem reação. Outras pessoas que estavam lá que alertaram”, afirmou.

Classificada como caso de urgência, ela foi atendida por um médico, que, segundo o relato, identificou a presença do cordão umbilical e apresentou duas possibilidades: internação ou indução do parto. A família optou pela internação.

Demora no atendimento

Amynne afirma que houve demora na condução do procedimento administrativo necessário para a internação.

“A gente ficou esperando os papéis, e isso demorou muito. Quando fui para a internação, já não conseguiram mais ouvir os batimentos da minha filha”, disse.

Conduta médica é questionada

A paciente relata que, já sem batimentos detectados, foi encaminhada para atendimento com uma médica. Segundo Amynne, a condução do procedimento foi traumática.

“Ela sentiu o cordão e a mãozinha da bebê e tentou retirar à força. Eu sentia dor, gritava, e ela continuava dizendo que estava tentando ajudar”, contou.

De acordo com Amynne, houve aplicação de medicação, mas, antes do efeito esperado, o procedimento teria sido retomado.

“Foi quando o cordão umbilical se rompeu. Tenho certeza que foi nesse momento”, afirmou.

Posteriormente, no centro cirúrgico, uma segunda equipe realizou o parto. A paciente relata que o atendimento foi diferente.

“Fui atendida de forma humanizada. A médica perguntou onde estava o cordão e a placenta, porque não tinham sido retirados”, disse.

Após o parto, ela passou por curetagem. Segundo o relato, o atendimento posterior, tanto no centro cirúrgico quanto no leito, foi adequado.

Suspeita de violência obstétrica

A paciente afirma acreditar que o caso pode configurar violência obstétrica: “A gente está fragilizada e confia no médico. Mas, olhando depois, eu acredito que sim, que foi violência”, declarou.

Para Amynne, tornar o caso público pode servir de alerta para outras mulheres:  “Não foi para me expor, mas para que outras pessoas fiquem atentas e isso não aconteça novamente”, disse.

Falta de assistência após o ocorrido

Amynne também relata ausência de acompanhamento psicológico ou orientação após a perda da filha. “Não recebi assistência psicológica, nem orientação sobre o que acontece depois, nem sobre a produção de leite. Nada”, afirmou.

Amynne recebeu alta na terça-feira, 22, com prescrição de medicação, mas sem encaminhamentos adicionais.

Impacto emocional

A paciente descreve o momento como um processo difícil, marcado por sentimentos de dor e questionamentos.

“A gente se sente incapaz, se pergunta o que poderia ter feito diferente. Depois entende que fez o possível, mas dependia de atendimento adequado”, disse.

A família ainda avalia se irá adotar medidas judiciais em relação ao caso..

“Talvez eu não seja a primeira e nem a última. Espero que isso mude”, declarou.

Posicionamento da Secretaria de Saúde

A reportagem do Portal Acre procurou a direção da Maternidade Bárbara Heliodora e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), que possuem agora, nova direção, para posicionamento sobre o caso.

Em uma nota, a Sesacre manifestou solidariedade pela perda do bebê e declarou que determinou a abertura de apuração interna para análise detalhada do atendimento, incluindo eventuais condutas relacionadas à assistência prestada e à abordagem da equipe multiprofissional.

Leia a nota.

NOTA

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio da direção da Maternidade Bárbara Heliodora, informa que tomou conhecimento do caso envolvendo a paciente Amynne Figueiredo e manifesta solidariedade à família pela perda gestacional.

A gestão esclarece que a paciente foi atendida em três ocasiões na unidade, nos dias 10, 18 e 20 de abril, tendo sido submetida a avaliação clínica e exames complementares compatíveis com o quadro apresentado em cada momento. Nas duas primeiras avaliações, não foram identificados sinais clínicos ou laboratoriais que indicassem infecção, trabalho de parto ou qualquer alteração que justificasse intervenção médica, sendo a paciente orientada a manter o acompanhamento pré-natal.

No dia 20, ao retornar à unidade, a paciente já apresentava quadro de ruptura de membranas, associado a sinais de evolução para abortamento, com idade gestacional em torno de 22 semanas. Nessas condições, conforme critérios técnicos e científicos, trata-se de gestação pré-viável, sendo priorizada a segurança materna diante dos riscos de infecção e outras complicações.

A Sesacre ressalta que a ruptura prematura de membranas é uma condição de causas diversas e, em grande parte dos casos, não prevenível, mesmo com acompanhamento adequado. A conduta adotada pela equipe seguiu os protocolos assistenciais recomendados para situações dessa natureza.

Paralelamente, diante do relato apresentado pela paciente e familiares, a Secretaria informa que determinou a abertura de apuração interna para análise detalhada do atendimento, incluindo eventuais condutas relacionadas à assistência prestada e à abordagem da equipe multiprofissional.

A Sesacre reafirma seu compromisso com a transparência, a humanização do atendimento e a qualificação contínua dos serviços de saúde, mantendo-se à disposição para prestar os esclarecimentos necessários.

Compartilhe em suas redes

» Mais Lidas

1
Legado, Oportunidade
Morre empresário que acreditava no esporte como transformação na ...
2
Médicos do estado decidem deflagrar greve na sexta-feira
3
Bombeiros iniciam busca por pai e filho que desapareceram após sa...
4
Calixto falando ou dizendo?
5
Talento do Acre
“Comecei a lutar porque sofria bullying”; Conheça o pugilista de ...
Grupo Oficial no WhatsApp

» Notícias Relacionadas

1250×250px Localização privilegiada