Rio Branco, 30 de abril de 2026.

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Tragédia aérea que marcou Xapuri e a família Melo Sarkis completa 75 anos nesta quinta-feira

Família Sarkis nos anos de 1960 – Acervo pessoal

Uma das tragédias mais marcantes da história de Xapuri completa 75 anos nesta quinta-feira. Em 30 de abril de 1951, o avião Beechcraft-Bonanza PP-HTI “Tarauacá”, do Serviço Aéreo do Governo do Acre, caiu durante uma tentativa de pouso no município, provocando a morte de três pessoas e deixando uma lembrança dolorosa que atravessou gerações.

O acidente ocorreu por volta das 17h30, depois que a aeronave sobrevoou a cidade e colidiu com uma castanheira nas proximidades da pista de pouso. Morreram no local José Raimundo de Melo, Miguel Gomes Bezerra e o piloto, o tenente Manoel de Souza Fortes — todos figuras conhecidas na época em Xapuri e Rio Branco.

Entre os familiares mais impactados pela tragédia estava Velissa Guaraciaba de Melo, filha de José Raimundo, que anos depois se tornaria matriarca da tradicional família Melo Sarkis ao se casar com Elias Cher Sarkis, em 1954. Com 21 anos na época do acidente, ela já namorava Elias quando recebeu a notícia da morte do pai.

Segundo relatos preservados pela família, os dois haviam saído de uma aula no fim da tarde daquele dia e passeavam pela cidade quando Velissa comentou com o então namorado ter tido uma visão do pai vestido de branco. Elias teria tentado tranquilizá-la, lembrando que José Raimundo ainda estava em Rio Branco. Pouco tempo depois, veio a confirmação do acidente.

A comoção tomou conta de Xapuri. Moradores acompanharam o resgate e, posteriormente, a missa de corpo presente realizada na igreja de São Sebastião, que ainda estava em construção naquele período.

Peça do avião foi guardada por décadas

Peça do avião guardada pela família como memória do acidente – Foto acervo pessoal

O bancário aposentado Andrias Sarkis, filho mais velho de Velissa e Elias, ainda guarda um fragmento da aeronave recolhido pelo pai logo após o acidente. Ao saber da queda do avião, Elias Sarkis correu até o local acompanhado do amigo Afonso Zaire e ainda conseguiu ver os destroços em chamas.

A peça preservada pela família é um cabo de aço que ligava uma das asas — que não foi atingida pelo fogo — à fuselagem da aeronave.

“Esse cabo de aço foi guardado por meu pai durante 54 anos até a sua morte, em fevereiro de 2005. O apego com a peça, que ele usava como um instrumento de defesa pessoal quando se deslocava do trabalho para casa — Elias Sarkis foi trabalhador histórico da antiga usina de energia de Xapuri — lhe rendeu o apelido de ‘Cabinho de Aço’, que chegou a ser transferido para mim”, conta Andrias.

Memória familiar preserva detalhes do acidente

Outro neto de José Raimundo de Melo, o radialista e professor Nader Sarkis afirma que a história do acidente sempre esteve presente nas conversas familiares.

Manchete de jornal da época que noticiou o fatal acidente – Foto acervo pessoal

Segundo ele, o avô retornava de Rio Branco após ter sido nomeado para o cargo de delegado-geral de Xapuri. Inicialmente, faria o trajeto de volta em batelão, viagem que durava cerca de quatro dias pelo rio, mas mudou os planos ao saber que havia um voo para o município.

“Pela história que ouço desde criança, o avião caiu após o piloto fazer um voo rasante sobre a cidade, como maneira de avisar a moça com quem namorava de sua chegada, como era habitual fazer. Ela morava na rua Sadala Koury, em frente de onde hoje é a pousada Chapurys. Depois dessa rasante, segundo o que se conta, ele não teria conseguido retomar a altitude para fazer o pouso, batendo nessa árvore e caindo”.

Embora o tempo tenha passado, a tragédia segue viva na memória da família e de moradores mais antigos de Xapuri.

José Raimundo de Melo e a esposa, Maria de Nazaré de Melo, tiveram quatro filhos. Dos descendentes da família nasceu ainda uma coincidência simbólica: um dos netos, José Raimundo Hadad Melo, atualmente residente em Belém (PA), tornou-se piloto de avião.

Sete décadas e meia depois, o acidente permanece como um dos episódios mais tristes da história de Xapuri — lembrado não apenas pela tragédia em si, mas pelas marcas deixadas em uma família cuja trajetória continua profundamente ligada à história do município.

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