Rio Branco, 29 de maio de 2026.

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Homicídios contra pessoas idosas caem 20% no Acre, mas violência interpessoal contra idosos cresce 72%

Acre teve média de 77,6 notificações por 100 mil habitantes – Foto reprodução

O número de homicídios de idosos no Acre caiu de 10 casos em 2019 para 8 em 2024. Isso representa uma redução de 20% no período. O dado permaneceu estável entre 2021 e 2024, sempre com oito homicídios anuais registrados. Enquanto isso, a taxa de violência interpessoal contra idosos aumentou 71,7% no mesmo intervalo, saltando de 45,2 para 77,6 notificações por 100 mil habitantes.

Segundo o Atlas da Violência, levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta semana, houve ainda uma aceleração recente do problema. Em apenas um ano, a taxa acreana saltou de 50,6 casos por 100 mil habitantes em 2023 para 77,6 em 2024, um aumento de 53,4%.

O contraste entre os indicadores chama atenção. O dado sugere que, embora os assassinatos de pessoas com 60 anos ou mais tenham diminuído, cresceram os registros de agressões, maus-tratos, negligência, abandono e outras formas de violência que nem sempre resultam em morte, mas comprometem a saúde, a dignidade e a qualidade de vida da população idosa.

O que é violência interpessoal?

Diferentemente dos homicídios, a violência interpessoal engloba diversas formas de agressão praticadas por uma pessoa contra outra. Nos casos envolvendo idosos, incluem-se agressões físicas, violência psicológica, humilhações, ameaças, negligência, abandono, violência sexual e também a chamada violência patrimonial, quando familiares ou pessoas próximas se apropriam indevidamente de aposentadorias, benefícios, bens ou recursos financeiros da vítima.

Os registros analisados pelo Atlas são baseados em notificações realizadas pelos serviços de saúde, quando profissionais identificam ou suspeitam que um idoso foi vítima de algum tipo de violência. Por isso, especialistas alertam que os números podem representar apenas parte do problema, já que muitos casos permanecem ocultos dentro do ambiente familiar e nunca chegam ao conhecimento das autoridades ou dos sistemas de saúde.

Mortes por quedas e internações por agressões

O Atlas mostra que os desafios enfrentados pela população idosa vão além dos homicídios e das notificações de violência interpessoal. Outro indicador que chama atenção é a mortalidade por quedas. Em 2024, o Acre registrou taxa situada em um intervalo entre 18,5 e 35,6 mortes por quedas para cada 100 mil idosos.

Embora nem sempre sejam associadas à violência, as quedas representam uma das principais causas de morte evitável entre idosos e refletem fatores como fragilidade física, ausência de adaptações nas residências, dificuldades de mobilidade e insuficiência de cuidados adequados. O Atlas destaca que o envelhecimento da população brasileira tem sido acompanhado pelo crescimento desse tipo de ocorrência, que gera impactos significativos sobre a saúde pública.

Outro dado que reforça a situação de vulnerabilidade dos idosos no Acre está relacionado às internações por agressão. Segundo o Atlas, a taxa de hospitalizações de homens com 60 anos ou mais vítimas de agressões chegou a 17,2 por 100 mil habitantes em 2024, índice superior ao nacional, que foi de 15,9. Já entre as mulheres, a taxa acreana foi menor que a do Brasil: 2,2 para 5,1.

O indicador é utilizado pelos pesquisadores para medir os casos mais graves de violência que exigem atendimento hospitalar e funciona como complemento às notificações registradas pelos serviços de saúde.

Quando analisados conjuntamente, os dados revelam um cenário complexo. De um lado, os homicídios de idosos diminuíram no Acre nos últimos anos. De outro, cresceram as notificações de violência interpessoal. O conjunto dos indicadores sugere que os desafios relacionados ao envelhecimento da população vão muito além da violência letal e exigem ações integradas nas áreas de saúde, assistência social e proteção aos idosos.

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