Rio Branco, 17 de maio de 2026.

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Sócios transformam CT de artes marciais em ferramenta social em Xapuri

Após retorno para Xapuri, Helisânia se tornou uma referência no esporte no município – Foto acervo pessoal

O som dos golpes, das orientações e da movimentação intensa no tatame do CT Monster, no bairro Pantanal, em Xapuri, revela muito mais do que treino físico. Em poucos meses de funcionamento, o espaço criado pelos professores Helisânia Rodrigues de Lima e Claudenilso Roque, o “Didi”, se transformou em um ambiente de convivência, disciplina e fortalecimento pessoal para dezenas de crianças, jovens e adultos do município.

Fundado em outubro do ano passado com objetivos modestos, o Centro de Treinamento já reúne cerca de 50 alunos em modalidades como Jiu-Jitsu e Muay Thai, atendendo desde crianças a partir dos 3 anos até alunos da terceira idade. No início, segundo eles, a ideia não era formar atletas, mas o projeto terminou adquirindo uma proposta social de usar as artes marciais como ferramenta de transformação humana.

Natural de Xapuri, Helisânia passou cerca de dez anos em Rio Branco aprofundando sua trajetória nas artes marciais. Hoje, faixa marrom de Jiu-Jitsu e graduada em Muay Thai, ela se tornou uma referência feminina na modalidade no município e fala com orgulho do caminho que construiu dentro de um ambiente ainda predominantemente masculino.

“Ser mulher e praticar arte marcial não é fácil. A gente enfrenta muitas coisas, muitos desafios. Hoje isso já está mudando, principalmente pela questão da defesa pessoal e da saúde mental, mas ainda existe preconceito. Para mim é uma satisfação enorme poder compartilhar o meu conhecimento, principalmente sendo mulher nesse meio”, afirma.

CT atende crianças a partir dos 3 anos em Xapuri em um espaço de disciplina e convivência – Foto acervo pessoal

Ela conta que o vínculo criado com os alunos — especialmente com as crianças — é uma das maiores recompensas do trabalho.

“Criança, quando não gosta, vai uma vez e não volta mais. Então quando elas permanecem, quando os pais dão retorno positivo, é porque estamos fazendo um bom trabalho. Eu sempre digo que para ensinar é preciso gostar do que faz”, destaca.

Ao lado dela, Claudenilso Roque, faixa preta de Jiu-Jitsu e graduado em Muay Thai, carrega a experiência de anos dedicados às competições e ao universo das lutas. Hoje, porém, o foco principal está na formação humana dos alunos.

“A gente tenta ajudar essas crianças a se desenvolverem e entrar nessa filosofia da arte marcial, que ensina disciplina, respeito e responsabilidade. Nosso objetivo é crescer, mas crescer ajudando pessoas. O legado que a gente pretende deixar tem esse sentido”, resume.

No CT Monster, as aulas misturam perfis e histórias diferentes. Entre crianças pequenas aprendendo os primeiros movimentos e jovens em busca de condicionamento físico, um aluno chama atenção pela empolgação. O pastor evangélico Moisés Madeira, de 60 anos, diz que encontrou no Muay Thai uma nova motivação para cuidar da saúde e do bem-estar.

“Na terceira idade, está pensando que parou? Parou não. Hoje, 60 anos é juventude. Se você buscar uma vida equilibrada, com esporte e saúde, pode chegar muito bem aos 90. Eu vejo o esporte, especialmente a arte marcial, como sabedoria. É necessário envelhecer com sabedoria. E o esporte ajuda muito nisso”, garante.

Crianças e adolescentes aprendem, antes de tudo, o valor da disciplina – Foto acervo pessoal

Os ensinamentos transmitidos dentro do tatame vão além da técnica. Segundo Helisânia, uma das principais lições das artes marciais é justamente o respeito ao próximo.

“O maior legado das artes marciais é a empatia e o respeito. Lá dentro do tatame, o ego não entra. Se a pessoa ainda não entendeu isso, precisa rever os próprios conceitos”, afirma.

O crescimento do projeto ganhou um momento especial neste sábado, 16 de maio, com a realização da primeira graduação de alunos do CT Monster. O evento contou com a presença do mestre faixa preta de Jiu-Jitsu Thauan Victor.

Neste sábado, aconteceu a primeira graduação de alunos do CT Monster – Foto acervo pessoal

A graduação representa uma das etapas mais simbólicas dentro das artes marciais, marcando a evolução técnica e disciplinar dos praticantes. Para os sócios fundadores, o momento simboliza também a consolidação de um sonho que começou há poucos meses, mas que já mostra resultados importantes dentro e fora do tatame.

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