
A violência letal contra mulheres apresentou forte redução no Acre nos últimos cinco anos, colocando o estado entre os destaques nacionais na queda dos índices de homicídios femininos. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, a taxa de homicídios de mulheres no Acre caiu 62,7% entre 2019 e 2024. O índice passou de 7,5 mortes por 100 mil mulheres para 2,8 no ano passado, ficando abaixo da média nacional, que foi de 3,4 homicídios por 100 mil mulheres em 2024.
Em números absolutos, o estado saiu de 32 mulheres assassinadas em 2019 para 12 em 2024. Apenas entre 2023 e 2024, a redução foi de 33,3%, uma das maiores do país no período.
Os dados mostram uma mudança significativa em relação ao cenário vivido pelo Acre durante o auge da crise da violência no estado. Em 2017 e 2018, a taxa de homicídios femininos chegou aos níveis mais altos da série histórica, atingindo 8,2 e 8,4 mortes por 100 mil mulheres, respectivamente.
A partir de então, o Atlas aponta uma trajetória contínua de queda nos indicadores. Depois do pico registrado em 2018, a taxa caiu para 7,5 em 2019, 6,2 em 2020, 4,1 em 2023 e alcançou 2,8 em 2024 — o menor patamar da década no estado.
O Acre também aparece entre os estados que mais reduziram a violência letal contra mulheres negras. A taxa caiu de 7,4 homicídios por 100 mil mulheres negras em 2019 para 3,0 em 2024, uma redução de 59,5% no período. Apenas no último ano analisado, a queda foi de 30,2%.
O Atlas destaca que, no cenário nacional, a maioria dos estados registrou redução recente dos homicídios femininos, embora ainda existam regiões com crescimento da violência contra mulheres. Acre, Amapá, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe aparecem entre as unidades da federação com taxas abaixo da média brasileira.
Apesar da melhora nos indicadores de homicídios, o relatório faz um alerta para a permanência da violência de gênero no país. O documento aponta que o Brasil vive um recrudescimento da cultura misógina, associado ao crescimento da violência sexual, do assédio e de discursos de ódio contra mulheres, especialmente no ambiente digital.
Os pesquisadores afirmam que a redução das mortes violentas de mulheres não significa, necessariamente, o enfraquecimento estrutural da violência de gênero, e defendem a ampliação das políticas públicas de proteção, prevenção e enfrentamento à misoginia.








