
O Conselho Municipal de Transportes aprovou nesta segunda-feira, 8, a nova planilha de custos do sistema de transporte coletivo de Rio Branco, fixando em R$ 11,40 o valor de referência por quilômetro rodado para a futura operação do serviço na capital.
A definição ocorreu após análise técnica realizada por representantes de órgãos e entidades que integram a Câmara Técnica do Conselho Municipal de Transportes. O valor servirá como base para a contratação da próxima empresa que irá operar o sistema, mas não altera a tarifa atualmente paga pelos usuários, no valor de R$ 3,50 e R$ 1 para estudantes.
Segundo o superintendente da RBTrans, Marcos Coutinho, a principal mudança está na forma de remuneração da operadora. Atualmente, a empresa responsável pelo transporte coletivo da capital, Ricco Transportes, que opera em caráter emergencial, recebe por passageiro transportado o valor de R$ 7,63. Com o novo modelo, a remuneração passará a ser calculada por quilometragem.

“O que foi aprovado não é aumento da passagem para o usuário. Estamos falando de uma nova forma de remuneração da empresa que vai operar o sistema. A tarifa técnica ficou em R$ 11,40 e ainda haverá subsídio do município. O valor pago pelo passageiro permanece o mesmo”, explicou.
De acordo com Coutinho, a futura operação prevê uma frota de aproximadamente 120 ônibus, todos equipados com ar-condicionado, além da ampliação de linhas e melhorias na prestação do serviço. A nova empresa deverá ser contratada inicialmente em caráter emergencial, enquanto a licitação definitiva segue em andamento.
O presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Acre (CRC-AC) e integrante como conselheiro da Câmara Técnica, Edberto Gomes, afirmou que o novo modelo busca garantir maior previsibilidade financeira para a empresa operadora e melhorias para os usuários.

“Hoje a empresa recebe por passageiro transportado. Com o novo sistema, ela saberá exatamente quantos quilômetros irá rodar e quanto receberá por isso. Isso traz mais segurança operacional e permite exigir ônibus mais novos, com ar-condicionado e maior pontualidade”, destacou.
Segundo Gomes, apenas cinco das 48 linhas atuais conseguem se sustentar financeiramente com a arrecadação das passagens. As demais dependem de subsídios públicos para manter a operação.
Durante a reunião, o presidente da União Municipal das Associações de Moradores de Rio Branco (Umarb), Jorge Wenderson, informou que a entidade optou pela abstenção na votação. Segundo o presidente, ainda é necessário avaliar os impactos da mudança no sistema e acompanhar as informações que serão apresentadas sobre a nova operadora.

“Nós nos abstemos porque ainda não sabemos qual será o impacto dessa mudança no transporte coletivo. Vamos aguardar as próximas reuniões e conhecer melhor a empresa que assumirá a operação”, afirmou.
Conforme o relatório técnico aprovado, a planilha possui caráter exclusivamente operacional e contratual, não produzindo qualquer alteração automática na tarifa pública cobrada dos passageiros, nem nos benefícios tarifários já existentes. O relatório deve passar ainda por aprovação na Câmara Municipal de Rio Branco.
A expectativa da RBTrans é que a nova modelagem contribua para melhorar a qualidade do serviço e ampliar a confiança da população no transporte coletivo da capital.








