Rio Branco, 16 de junho de 2026.

Hipocrisia, não!

Dia desses, vi um amigo por quem tenho imensa consideração tecendo críticas sobre a “pressão” para que comissionados e servidores públicos participem dos atos do governo Mailza — o famoso “fazer número”. Apesar do carinho que tenho pela pessoa, a minha vontade foi de mandá-lo “pra baixa da égua”.

Se manque! Esses “convites” acontecem em todas as gestões. Eu trabalhei na comunicação nos governos do PT e era a mesma coisa: “convite” para eventos, solenidades e bandeiraços. E se você não fosse, no outro dia chegava um emissário dizendo: “Sentiram a sua falta”. Faça-me o favor!

Alan deseja Jéssica Sales de vice

Isso, nas entrelinhas, ficou claro na entrevista do senador Alan Rick ao podcast do Portal Acre nesta segunda-feira, 15. Alan sabe que o empresário Rico Leite, a ex-prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem e a advogada Ana Paula Correia são, sem dúvidas, bons nomes. Mas sabe também que uma vice do quilate e da força política que Jéssica tem no Juruá pode ser o fiel da balança nas eleições. Liderando as pesquisas e com uma vice do tamanho de Jéssica, o senador dá um passo gigante para chegar ao Palácio Rio Branco.

Mailza tem que ir “pra cima”

A governadora Mailza não pediu meu conselho, mas vou meter meu bedelho assim mesmo. Se ela quer ser eleita em outubro, o momento é de cair em campo na campanha — já que “pré-campanha” é só o nome que a Justiça Eleitoral obriga os candidatos a usar, pois a campanha real já começou faz tempo.

Ela precisa colocar o time em campo para resolver os gargalos que ainda restam, como a decisão sobre seu vice, correr atrás do apoio de prefeitos e lideranças que ainda não estão “amarrados” e buscar votos. Não é hora de quem pode ajudar em uma eleição difícil ficar organizando palestra. E que se acalmem os defensores das palestras: eu também as acho importantes, mas o momento agora é outro. Se ganhar a eleição, ela terá quatro anos para fazer todo tipo de palestra — de protagonismo feminino, liderança esportiva, gestão motivacional e empresarial a corte de cabelo, maquiagem, manicure, pedicure, botox e por aí vai… hehehehehe.

Eleição nunca esteve decidida no Acre

As últimas pesquisas retratam algo claro: a corrida pelo Palácio Rio Branco não está resolvida. Alan Rick é o favorito? Sem dúvida alguma. Mas é preciso lembrar que Mailza está no cargo, tem dado sua dinâmica ao governo e ainda tem muitos meses pela frente. Ela começou a entender que não pode ser uma “sombra” do ex-governador Gladson Cameli. E quando digo isso, não é nenhum demérito a Gladson. É simples: Mailza precisa convencer o eleitor de que é a melhor opção. Ser o candidato de Cameli ajuda, mas não resolve.

Além do mais, se conseguir ser candidato — já que hoje está inelegível —, Cameli vai correr atrás de votos para si, pois sua própria eleição não está garantida. E ele, como candidato, vai dizer ao eleitor que trabalhará com qualquer um que ganhar. Ou alguém acha que vai sair da boca de Cameli algo do tipo: “Se não votar na Mailza, ou se você for eleitor do Bocalom ou do Alan Rick, eu não quero seu voto”?

Mailza e seu discurso mais afiado

Uma das dificuldades identificadas pelo entorno da governadora Mailza sempre foi a falta de um discurso mais firme e de narrativas que convençam o eleitor. Quem aposta no “discurso fraco” de Mailza é bom tirar o cavalinho da chuva. Impressiona como ela tem mudado o tom, mostrando-se mais firme e confiante. Um exemplo foi no último sábado, em Cruzeiro do Sul, durante o lançamento da Expoacre Juruá. Alguém do meu lado sussurrou para outra pessoa: “A mulher tá aprendendo a falar bonito”.

Vitimismo de Gladson não cola

Pode até ter quem não goste do Gladson político ou de sua gestão como governador, mas não se pode negar que ele é uma figura carismática e agradabilíssima no trato com as pessoas. Exatamente por isso, e por uma questão de justiça, não cabe esse “choro” que ele tem inventado ultimamente, colocando-se como vítima de críticas injustas.

É sempre bom lembrar que o ex-governador está inelegível porque foi condenado por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Vou repetir o que já disse: se conseguir reverter a situação na Justiça — que é o seu grande desafio agora —, vai virar senador. Mas essa conversa mole de vitimismo não cola.

Falando em arrogância…

Chamou a atenção o comportamento de um representante da construtora responsável pela ponte que caiu em Sena Madureira. Em visita ao município, o sujeito teve a coragem de dizer que não “precisa provar nada” sobre uma ponte que custou R$ 36 milhões e desabou. Ora bolas, precisa sim! Precisa provar se não fizeram bobagem com o recurso da população e explicar por que uma ponte nova desaba. Não me faltava mais nada.

Tem prefeito que precisa torcer para o jogo não virar

Alguns prefeitos estão claramente mudando de lado. Problema nisso? Nenhum, faz parte do jogo político democrático. O diacho é se o jogo virar e o cabra se arrepender. São os riscos que se corre ao escolher um lado. É o tal do ônus e do bônus… kkkkkkkkkkkkkkkk.

Prefeito nem sempre ajuda

A avaliação do apoio de um prefeito do interior varia muito de acordo com o gestor. Tem uns que atrapalham mais do que ajudam. No caso do prefeito de Porto Acre, quem mora por lá diz que Mailza não está perdendo quase nada, pois a população avalia a gestão dele como péssima.

Discurso da Antônia Lúcia empolga, mas não resolve “nadica de nada”

A deputada federal Antônia Lúcia empolgou os presentes no lançamento da Expoacre Juruá ao dizer que falava em nome do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, reafirmando que o “glorioso” vai apoiar Mailza na candidatura ao governo e indicar o vice, conforme o acordado.

Apesar dos aplausos, a verdade é que a parlamentar é “pato novo” no MDB e não tem poder de decisão. Quem manda ali é Vagner Sales e os “cabeças brancas”. A ausência de Sales e de sua esposa, Antônia Sales, a esse importante evento é o real sinal de que a situação ainda não está resolvida.

Clima entre Zequinha e Barbary é péssimo

Outra constatação óbvia de quem estava em Cruzeiro do Sul é a crise política entre o prefeito Zequinha Lima e o deputado federal Zezinho Barbary. Os dois nem se olham nas agendas institucionais, o que prova que a rusga parece ser definitiva. Mailza, corretíssima, fica quieta e não se mete no rolo. Afinal, ela precisa do apoio dos dois.

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Leônidas Badaró

É natural de Xapuri, onde começou na comunicação há 25 anos. De lá pra cá atuou como repórter e apresentador em Rádio, TV e Online. Apaixonado por esportes, também é narrador de futebol.

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