
Mateiros e lideranças indígenas do município de Jordão, no interior do Acre, cobram o pagamento pelos serviços prestados durante uma operação de busca, que resultou na localização do indígena Moisés, desaparecido na região da Aldeia Bari. Os participantes da missão afirmam que aguardam uma definição sobre os valores que teriam sido acordados antes do início das buscas.
Segundo os relatos encaminhados ao Portal Acre, cinco mateiros e oito indígenas participaram diretamente da operação realizada entre os dias 30 de abril e 11 de maio deste ano. Conforme os denunciantes, foi acordado que cada mateiro teria direito a 10 diárias no valor de R$ 150, totalizando R$ 1.500 por profissional.
O caso mobilizou moradores, lideranças indígenas e autoridades do município de Jordão, que acompanharam as buscas em uma região de difícil acesso.
De acordo com um relatório encaminhado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a operação contou inicialmente com apoio do Corpo de Bombeiros Militar. Após os primeiros dias de trabalho, a equipe oficial precisou deixar a área, ficando a continuidade das buscas sob responsabilidade dos mateiros e indígenas que permaneceram na mata.
O documento destaca que, após cerca de dez dias de buscas intensas, Moisés foi encontrado com vida e retirado da floresta em segurança.
Em entrevista ao Portal Acre, o vice-prefeito de Jordão, Cléber Kaxinawá, relatou que, logo após o desaparecimento do indígena, o município acionou o Corpo de Bombeiros para auxiliar nas buscas. Segundo ele, as equipes realizaram os primeiros trabalhos, mas não conseguiram localizar a vítima.
Posteriormente, a secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, esteve em Jordão para acompanhar a situação e dialogar com lideranças locais. O vice-prefeito informou que a Prefeitura colaborou com apoio logístico, combustível, alimentação e outras demandas necessárias para a continuidade da operação.
Ainda segundo ele, após o encerramento das buscas, os mateiros passaram a procurar apoio do município para obter informações sobre o pagamento reivindicado. O gestor afirmou que conseguiu contato com a secretária em uma ocasião, mas que posteriormente as tentativas de comunicação deixaram de ser respondidas.
O vice-prefeito destacou que não possui críticas à atuação da secretária, mas entende que a situação precisa ser esclarecida para os profissionais que participaram da missão.

O vereador Ismael Kaxinawá também confirmou ao Portal Acre que acompanhou parte das articulações relacionadas à operação.
“Participei da organização das pessoas, ajudando com a locomoção de barcos e contribuindo como parceiro da ação. Porém, a questão do pagamento dos rapazes não era uma responsabilidade minha. Fizemos a ponte entre os envolvidos e a secretaria, encaminhamos as informações necessárias, mas ultimamente ela deixou de responder nossas mensagens e atender nossas ligações”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que continua acompanhando o caso e mantendo contato com os participantes das buscas.
“Até onde era minha competência eu fiz. Hoje continuo mantendo contato com os mateiros e acompanhando a situação, mas também estamos sem resposta”, acrescentou.
Outra liderança ouvida pela reportagem foi Civaldo Huni Kuĩ, que afirmou ter tentado intermediar o diálogo entre os mateiros e a Secretaria dos Povos Indígenas.
Segundo ele, após ser procurado pelos participantes da operação, buscou contato com a secretaria para tratar da situação. No entanto, afirma que as tratativas não avançaram e que não houve uma solução definitiva para a demanda apresentada pelos mateiros.
Secretária nega promessa de pagamento

Procurada pelo Portal Acre, a secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, negou que tenha assumido qualquer compromisso relacionado ao pagamento de diárias para os participantes da operação.
Segundo ela, o apoio oferecido pelo Estado durante as buscas consistiu no fornecimento de combustível, alimentação e no envio de uma equipe do Corpo de Bombeiros para auxiliar nos trabalhos.
“Em momento algum mencionamos o pagamento de diárias. O que foi acordado foi o fornecimento de combustível, alimentação e apoio para as buscas. Até porque não temos confições legais de pagar diária para quem não funcionário público”, afirmou.
A secretária também ressaltou que o Estado forneceu estrutura para a realização da operação, incluindo combustível e outros recursos necessários para apoiar os trabalhos de busca.
A operação ocorreu na região da Aldeia Bari, no município de Jordão, e resultou na localização com vida do indígena Moisés após vários dias de buscas em área de floresta densa.








