
É Dia dos Namorados e celebrar o amor é sempre bem-vindo!
Tem quem acorde com café na cama, flores, presente, foto bonita, jantar romântico e, claro… sexo. Porque a verdade é que os casais já cumprem todo o roteiro pensando no final. Rita Lee já avisava: Amor e sexo andam juntos…quase sempre.
Porém, hoje eu vou falar, porque já estou vivendo, do amor que não está apto a viver o dia mágico como todo mundo espera. O amor que segura e não larga a mão em tempos sombrios.
É que depois que a palavra câncer entra na rotina trazendo consultas, exames, cirurgia, repouso, medicamentos e toda a liturgia que acompanha um pós-operatório, o amor é celebrado de outra forma.
Entre curativos, comprimidos, dores e limitações, surge um tipo de amor que não é retratado nas campanhas de Dia dos Namorados, mas, com certeza, é o amor que todo mundo quer viver, o amor mais genuíno…
É que ali não existe espaço para performance, não existe expectativa de retorno. Há apenas presença e paciência testada, eu diria que ao limite. (coitado)
Estar comigo nesse momento deve ser um desafio estranho, porque eu não sou aquela pessoa que fica ali, “morrendo” com cara de doente.
Eu continuo “futricando” aqui e acolá, querendo resolver tudo, inquieta, impaciente, inventando moda. Mas ao mesmo tempo, me sinto feia e um tanto inútil. Fico chateada. Quero atenção. Mais atenção. Quero distância também… ou não.
Tão bipolar quanto amor e sexo.
E falando nele… sinto uma falta! Mas o pescoço (local da cirurgia) não aguenta o repuxo, o corpo lembra dos limites e o estresse aumenta.
No meio desse caos todo, lá está ele.
Trabalhando incansavelmente pra pagar conta de cirurgia, médico, medicamento e todas as outras contas que a vida, que continua acontecendo, insiste em cobrar.
Lá está ele cortando pílula porque me incomoda engolir.
Ligando pra lembrar horário de remédio.
Encomendando a comida que eu comentei que estava com vontade.
Entrando e saindo mil vezes de casa.
E nunca deixando de ligar… pra contar o dia, a alegria, a briga, dificuldade, fofoca.
E ele liga, viu! Eu amo e odeio, porque meu celular toca alto (só na chamada dele) e me assusta sempre.
Mas eu amo porque, a cada chamada, eu lembro: ele quer dividir a vida comigo, mesmo quando a vida não está bonita.
O Dia dos Namorados na vida adulta já tem pouco espaço pra magia de comercial.
Mas, talvez, isso seja bom, porque sobra espaço pro amor real, aquele que nem sempre chega em caixa com laço.
Mas chega em ligação perguntando se tomou o remédio, que corta comprimido, que segura a barra!
No fim das contas, talvez Rita Lee tivesse razão.
Amor é um livro.
Sexo é esporte.
E ter o seu amor, Fredson Camargo, é sorte!
