
Com mais de 450 mil seguidores nas redes sociais, o morador de Sena Madureira Rikelmi Souza usou a própria rotina para mostrar como ficou o deslocamento de quem dependia da ponte Frei Paolino Baldassari, que ligava o bairro onde mora ao restante da cidade após o desabamento da estrutura, na noite da ultima sexta-feira (5),
Conhecido por compartilhar o cotidiano na área rural onde viveu durante anos e, mais recentemente, registrar sua adaptação à vida urbana e aos estudos, Rikelmi publicou um vídeo mostrando o caminho até a escola no primeiro dia após a interrupção da passagem.
“Indo para a escola a primeira vez que a ponte que liga meu bairro com o resto da cidade caiu”, relata no início do vídeo.
As imagens mostram o jovem caminhando até a margem do rio, onde moradores passaram a utilizar catraias — pequenas embarcações — para atravessar.
“Olha só a ponte, gente. Minha casa é perto e agora vamos atravessar de catraia”, comenta.
Durante o trajeto, ele registra pessoas expostas ao sol aguardando a embarcação chegar e mostra uma escadaria sem segurança para acesso ao local de embarque.
“Enquanto isso as pessoas ficam no sol esperando a catraia chegar”, diz. Em seguida, aponta para a estrutura e comenta: “Isso aqui é o porto”.
Rikelmi também mostra que a embarcação apresentava entrada de água durante a travessia.
“A catraia está igual uma cachoeira”, brinca ao registrar os pés molhados dos estudantes.
Ao chegar ao outro lado, resume a rotina: “Chegamos e agora é ir pra escola”.
Na volta para casa, já durante a noite, o tom do relato muda e dá lugar à preocupação com as condições de travessia.
“Gente, são seis e vinte e quatro, no escuro, porque não tem luz. Temos que focar com a lanterna do celular. A situação é muito precária”, afirma.
Em um dos trechos mais comentados do vídeo, o jovem faz uma comparação com a realidade que viveu no passado.
“Estou me sentindo na colônia em que eu morava, porque lá onde eu morava não tinha eletricidade, era tudo no escuro. E eu não posso fazer nada, só mostrar pra vocês pra ver se alguém faz alguma coisa.”
Ele ainda alerta para o risco enfrentado por quem precisa usar o trajeto diariamente.
“Se pisar no lugar errado, cai direto no rio.”







