Rio Branco, 9 de junho de 2026.

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“Só posso mostrar pra ver se alguém faz alguma coisa”, diz jovem influenciador ao registrar travessia após queda da ponte em Sena

Catraia se tornou uma única alternativa para travessia do Rio Iaco após queda de ponte – Foto Henrique Nery

Com mais de 450 mil seguidores nas redes sociais, o morador de Sena Madureira Rikelmi Souza usou a própria rotina para mostrar como ficou o deslocamento de quem dependia da ponte Frei Paolino Baldassari, que ligava o bairro onde mora ao restante da cidade após o desabamento da estrutura, na noite da ultima sexta-feira (5),

Conhecido por compartilhar o cotidiano na área rural onde viveu durante anos e, mais recentemente, registrar sua adaptação à vida urbana e aos estudos, Rikelmi publicou um vídeo mostrando o caminho até a escola no primeiro dia após a interrupção da passagem.

“Indo para a escola a primeira vez que a ponte que liga meu bairro com o resto da cidade caiu”, relata no início do vídeo.

As imagens mostram o jovem caminhando até a margem do rio, onde moradores passaram a utilizar catraias — pequenas embarcações — para atravessar.

“Olha só a ponte, gente. Minha casa é perto e agora vamos atravessar de catraia”, comenta.

Durante o trajeto, ele registra pessoas expostas ao sol aguardando a embarcação chegar e mostra uma escadaria sem segurança para acesso ao local de embarque.

“Enquanto isso as pessoas ficam no sol esperando a catraia chegar”, diz. Em seguida, aponta para a estrutura e comenta: “Isso aqui é o porto”.

Rikelmi também mostra que a embarcação apresentava entrada de água durante a travessia.

“A catraia está igual uma cachoeira”, brinca ao registrar os pés molhados dos estudantes.

Ao chegar ao outro lado, resume a rotina: “Chegamos e agora é ir pra escola”.

Na volta para casa, já durante a noite, o tom do relato muda e dá lugar à preocupação com as condições de travessia.

“Gente, são seis e vinte e quatro, no escuro, porque não tem luz. Temos que focar com a lanterna do celular. A situação é muito precária”, afirma.

Em um dos trechos mais comentados do vídeo, o jovem faz uma comparação com a realidade que viveu no passado.

“Estou me sentindo na colônia em que eu morava, porque lá onde eu morava não tinha eletricidade, era tudo no escuro. E eu não posso fazer nada, só mostrar pra vocês pra ver se alguém faz alguma coisa.”

Ele ainda alerta para o risco enfrentado por quem precisa usar o trajeto diariamente.

“Se pisar no lugar errado, cai direto no rio.”

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