
Desde o desabamento da Ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, expressões como colapso estrutural, erosão das fundações, recalque, instabilidade da margem e processo erosivo passaram a fazer parte das discussões nas redes sociais.
Entre todos os termos, um deles ganhou destaque por estar diretamente ligado à realidade amazônica: as chamadas “terras caídas”, fenômeno apontado por especialistas como uma das possíveis causas para o colapso da estrutura.
O assunto ganhou repercussão nacional e chamou a atenção de perfis especializados em engenharia. Em publicação no Instagram, o perfil Por Dentro do Acidente destacou que o problema pode ter ocorrido abaixo da superfície, nas margens do Rio Iaco.
Segundo a análise divulgada, o fenômeno acontece quando o nível do rio baixa rapidamente após períodos de cheia, fazendo com que o solo saturado perca resistência e deslize, comprometendo a estabilidade de estruturas construídas sobre a margem.
A publicação ressalta ainda que, em rios amazônicos, as fundações precisam considerar o comportamento dinâmico das margens e das cheias. O perfil defende que o risco das terras caídas é conhecido e pode ser identificado por meio de estudos geotécnicos e monitoramento contínuo do terreno.
Quem também comentou tecnicamente o caso foi a engenheira Marília Araújo, especialista em patologia das construções. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que, pelas informações disponíveis até o momento, a hipótese das terras caídas merece atenção especial.
Tanto os perfis de Marília e do Por Dentro do Acidente explicam que a correnteza escava a base das margens, enquanto solos arenosos, siltosos e argilosos perdem sustentação ao longo do tempo. Ela também destacou que chuvas intensas e o desmatamento das matas ciliares podem acelerar o processo.
Apesar das observações, os especialistas ressaltam que ainda não é possível apontar uma causa definitiva sem uma análise presencial e detalhada do local.








