
O Acre encerrou o ano de 2025 com o indicador mais crítico do Brasil no que se refere à violência letal contra a mulher. De acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, o estado registrou uma taxa de 3,2 feminicídios para cada 100 mil mulheres, a mais alta entre todas as Unidades da Federação.
Em números absolutos, o Acre viu o total de vítimas saltar de 8, em 2024, para 14, no ano passado, o que representa um aumento de 74,3% em apenas doze meses. O dado torna-se ainda mais grave quando comparado à dinâmica nacional.
Enquanto no Brasil 44,4% das mulheres assassinadas foram vítimas de feminicídio, no Acre essa proporção chega a 66,7%. Isso significa que duas em cada três mulheres mortas de forma violenta no estado foram assassinadas especificamente por razões de gênero, superando amplamente a média do país.
Escalada da violência doméstica
Os dados do relatório sugerem que o aumento das mortes é acompanhado por um crescimento acentuado de outras formas de violência que costumam anteceder o crime fatal. O Acre liderou o crescimento nacional de registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, com uma alta de 21,1% entre 2024 e 2025. Além disso, as ocorrências de ameaça contra mulheres dispararam no estado, registrando um aumento de 68,2%.
Análises contidas no Anuário destacam que o feminicídio é, antes de tudo, a expressão extrema das desigualdades de gênero e raramente ocorre como um episódio isolado. O fenômeno é descrito como uma “escalada”, na qual ameaças e agressões físicas funcionam como sinais de alerta.
No Acre, o alto volume desses registros não letais, somado à maior taxa de mortalidade feminina por gênero, reforça a urgência de políticas de prevenção e intervenção precoce para estancar o ciclo de violência antes que ele atinja seu desfecho mais grave.








