
Antes da intensificação da estação seca, o Acre apresenta um cenário mais favorável no monitoramento de queimadas em 2026 com relação ao ano passado. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o estado registrou 79 focos de calor entre 1º de janeiro e 21 de julho, número que corresponde a aproximadamente um terço dos 243 focos contabilizados no mesmo período de 2025, representando uma redução de cerca de 67%.
O levantamento revela que a maior parte das ocorrências deste ano se concentrou nas últimas semanas. Dos 79 focos registrados até agora, 38 ocorreram em julho, enquanto junho somou 20 registros, maio teve 15, abril e fevereiro contabilizaram dois focos cada, janeiro também registrou dois e março não apresentou nenhuma ocorrência.
Embora os números indiquem uma situação mais tranquila em comparação com o ano passado, especialistas alertam que ainda é cedo para concluir que a temporada de queimadas será menos severa. Historicamente, os meses de agosto, setembro e outubro concentram a maior parte dos focos de calor no Acre, período em que a redução das chuvas, a queda da umidade relativa do ar e o aumento do uso do fogo em áreas rurais favorecem a propagação de incêndios.
A série histórica do Inpe, iniciada em 1998, confirma esse comportamento sazonal. Ao longo de quase três décadas de monitoramento, os maiores volumes de focos costumam ser registrados justamente no segundo semestre, especialmente entre agosto e outubro, quando a estiagem atinge seu período mais intenso. Em alguns anos, o estado ultrapassou a marca de 15 mil focos ao longo da temporada.
Os dados também mostram que julho marca o início da aceleração das queimadas. Até o dia 21, o mês já concentrava quase metade de todos os focos registrados em 2026, indicando a transição para o período de maior risco ambiental.
Entre os municípios acreanos, Feijó lidera o número de ocorrências neste ano, com 20 focos, seguido por Tarauacá (9), Rodrigues Alves (8), Cruzeiro do Sul (6), Jordão (5), Rio Branco, Epitaciolândia e Sena Madureira (4), Manoel Urbano e Porto Walter (3), Acrelândia, Assis Brasil, Mâncio Lima e Marechal Taumaturgo (2) e Xapuri (1).
Apesar do cenário favorável até o momento, os órgãos ambientais mantêm o acompanhamento diário das ocorrências, uma vez que as condições climáticas previstas para as próximas semanas tendem a favorecer o aumento dos focos. A combinação entre estiagem prolongada, vegetação mais seca e uso irregular do fogo costuma provocar uma rápida elevação dos registros durante o auge do verão amazônico.
Os dados do Inpe indicam que o Acre inicia a fase mais crítica da temporada de queimadas com números significativamente inferiores aos do ano passado, mas reforçam que o período historicamente mais desafiador para o controle do fogo ainda está por começar, exigindo atenção permanente do poder público e da população para evitar que o cenário atual se reverta nas próximas semanas.








