
A escolha da Rainha do Rodeio da Expoacre 2026, realizada na noite de sábado (25), continua repercutindo nas redes sociais e entre o público que acompanhou o concurso. Logo após o anúncio do resultado oficial, a candidata Maiane Sobrinho, eleita Princesa do Rodeio, devolveu ainda durante a cerimônia a faixa, a coroa e a premiação recebidas, em um gesto de protesto contra o desfecho da competição.
A atitude chamou a atenção do público presente e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. Posteriormente, Maiane publicou uma nota de repúdio explicando os motivos que a levaram a recusar a premiação e a tornar pública sua insatisfação com o resultado.
Na manifestação, a candidata afirma que sua indignação não está relacionada ao fato de não ter conquistado o título de Rainha do Rodeio. Segundo ela, qualquer colocação seria aceita caso o resultado refletisse, em sua avaliação, um processo conduzido de forma justa, coerente e transparente. Para Maiane, o principal ponto em discussão é a forma como ocorreu a avaliação das candidatas.
Entre os questionamentos apresentados, ela cita os critérios utilizados pela comissão julgadora, especialmente em relação à valorização de elementos considerados tradicionais do universo do rodeio, como o berrante, a moxinga e outros acessórios que, segundo ela, representam a essência da competição e da cultura sertaneja.
Maiane também relata que enfrentou dificuldades durante a preparação para a etapa final do concurso. Conforme descreve na nota, parte da estrutura planejada para sua apresentação precisou ser modificada poucos dias antes do evento, exigindo uma reorganização completa. Apesar disso, afirma que decidiu seguir na disputa acreditando que seriam avaliados o preparo, a dedicação e a apresentação realizada no palco.
Ao longo do texto, a candidata ressalta que não faz críticas à vencedora nem às demais concorrentes. Segundo ela, todas as participantes merecem reconhecimento pelo esforço e pela dedicação. O foco de sua manifestação, afirma, está na busca por esclarecimentos sobre os critérios adotados no julgamento e na defesa de mais transparência em concursos dessa natureza.
Organização rebate críticas
Diante da repercussão, a organização do Concurso Rainha do Rodeio divulgou uma nota pública reafirmando a credibilidade do evento e rebatendo as acusações levantadas após o resultado.
No comunicado, os organizadores destacam que o concurso integra a programação oficial da Expoacre há 27 anos e afirmam que a competição foi construída ao longo desse período com base na seriedade, na tradição e na valorização da cultura acreana.
A organização também informa que o concurso é realizado em parceria com o Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (SETE), e ressalta que a comissão julgadora é composta por pessoas consideradas idôneas, qualificadas e de reconhecida credibilidade, incluindo representantes do próprio Governo do Estado.
Ainda conforme a nota, a escolha da Rainha do Rodeio segue critérios previamente estabelecidos e é conduzida por uma comissão com autonomia para realizar as avaliações, garantindo, segundo a organização, imparcialidade durante todo o processo.
Os organizadores afirmam ainda que o concurso representa uma oportunidade para jovens acreanas e reafirmam o compromisso com a ética, a responsabilidade, a transparência e o respeito às participantes, parceiros, instituições e ao público.
A polêmica continua repercutindo nas redes sociais, onde internautas se dividem entre manifestações de apoio à candidata e mensagens em defesa da organização do concurso. Até o momento, não há qualquer indicação de revisão do resultado oficial da disputa.
Confira as notas na íntegra
Nota de repúdio – Maiane Sobrinho

NOTA DE REPÚDIO
Eu, Maiane Sobrinho, esperei. Observei. Silenciei quando muitos esperavam uma reação imediata.
Mas chega um momento em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser conivência com aquilo que não pode ser normalizado.
Por isso, hoje, manifesto minha profunda indignação com tudo o que aconteceu no Concurso de Rainha do Rodeio da Expoacre.
Não se trata simplesmente de ganhar ou perder.
Nunca foi sobre isso.
Não teria qualquer problema em ficar em segundo, terceiro, quarto lugar ou até mesmo não subir ao pódio. Se esse fosse o resultado de uma avaliação justa, coerente e transparente, ele seria aceito com respeito. A indignação nunca foi pela posição ocupada, mas pelos questionamentos que surgiram diante da forma como tudo foi conduzido.
Também não posso deixar de questionar um ponto que considero essencial: como um concurso que, em uma seletiva, pergunta se a candidata toca berrante, conhece a história do berrante, sabe estralar a moxinga e abre a maior cavalgada do estado, representando o rodeio e carregando toda a tradição sertaneja, pode, na percepção de muitos que acompanharam o concurso, não atribuir o mesmo peso à avaliação dos principais acessórios que compõem a identidade de uma Rainha do Rodeio? Berrante, moxinga e os demais elementos tradicionais não são meros detalhes. Eles representam a essência desse título e da cultura que o concurso se propõe a celebrar.
Concursos podem ter resultados diferentes das nossas expectativas. O que não pode acontecer é a apresentação, a entrega, o talento e tudo aquilo que foi demonstrado no palco parecerem, na percepção de muitas pessoas, não ter qualquer relação com o resultado final.
Durante meses, me preparei. Dediquei tempo, energia, coração e verdade. Entreguei tudo o que tinha. Cada ensaio, cada detalhe, cada passo, cada apresentação, cada momento diante do público foi vivido com responsabilidade, amor e respeito por esse sonho.
Como se não bastasse toda a preparação, enfrentei mais um desafio que poucas pessoas conhecem. Apenas dois dias antes da apresentação, toda a estrutura que havia sido planejada foi barrada. Em vez de desistir, respirei fundo e reconstruí absolutamente tudo do zero em tempo recorde. Reorganizei apresentação, detalhes, estratégia e segui em frente porque acreditava que o que seria avaliado era a entrega, o preparo e o mérito dentro do palco.
Nada disso foi fácil.
Nada disso aconteceu por acaso.
Também acredito que, se estamos defendendo justiça e coerência, precisamos reconhecer o mérito de quem também fez uma excelente apresentação. O questionamento nunca foi contra nenhuma candidata. O questionamento sempre foi sobre os critérios adotados e sobre a coerência entre as apresentações e o resultado final.
Não aceito que uma trajetória construída com tanto esforço seja reduzida a uma narrativa que, na minha percepção, não representa tudo o que foi vivido. Não aceito que questionamentos legítimos sejam tratados como falta de humildade ou falta de respeito.
Questionar não é não saber perder.
Exigir coerência não é desrespeitar um resultado.
Defender a verdade não é atacar ninguém.
A verdade não precisa de gritos para existir, mas também não deve ser obrigada a permanecer em silêncio.
O que está sendo questionado não é apenas um título. É a coerência entre aquilo que foi apresentado e aquilo que foi decidido. É a necessidade de clareza, transparência e respeito com todas as candidatas que se dedicaram e entregaram o seu melhor.
Porque, quando se exige tanto de uma candidata, também é justo exigir responsabilidade de quem avalia.
Não podemos escolher quando a verdade deve ser conveniente. Não podemos defender transparência apenas quando o resultado nos favorece. E não podemos pedir que as pessoas simplesmente aceitem tudo em silêncio quando existem questionamentos legítimos e situações que, na percepção de quem acompanhou o concurso, merecem esclarecimentos.
Não vou negociar o correto para preservar o confortável.
Também não vou me calar diante de informações que considero distorcidas ou de tentativas de minimizar aquilo que foi visto por tantas pessoas.
A história, a entrega e a apresentação não podem ser reescritas por uma narrativa construída após o resultado.
Sei exatamente o que vivi. Sei o quanto me preparei. Sei o quanto me entreguei. E milhares de pessoas também viram.
Não estou aqui para diminuir nenhuma candidata. Não estou aqui para tirar o mérito de ninguém. Pelo contrário: todas as mulheres que chegaram até ali merecem respeito pela coragem, dedicação e pelo sonho.
Mas, justamente por respeitar todas as candidatas, acredito que todo resultado deve ser tratado com seriedade, responsabilidade e transparência.
A justiça não deve ser uma ameaça para quem fez tudo corretamente. A justiça deve ser uma garantia para todos.
Agradeço profundamente a cada pessoa que se manifestou, que apoiou, que defendeu, que enxergou a entrega e que não permitiu que essa voz fosse apagada.
Cada mensagem, cada palavra e cada demonstração de carinho mostraram que, muito além de uma faixa ou de uma coroa, existe algo que ninguém pode tirar: a marca que deixamos nas pessoas.
Talvez essa seja a maior prova de que toda essa entrega foi real.
Não existe arrependimento por ter dado tudo.
Não existe arrependimento por sonhar. Não existe arrependimento por lutar. E muito menos por defender aquilo em que acredito.
Porque há momentos em que se calar é mais fácil.
Mas não negociar a verdade é uma escolha.
Não aceitar o errado como normal é uma escolha.
Permanecer firme, mesmo quando tentam convencer que não devemos questionar, também é uma escolha.
Escolho a verdade.
Escolho a transparência.
Escolho a coerência.
E, acima de tudo, escolho não permitir que dedicação, trajetória e tudo o que foi construído sejam apagados por um resultado que, para mim e para tantas pessoas que acompanharam o concurso, deixou questionamentos que ainda precisam ser respondidos.
Trata-se de saber reconhecer quando algo precisa ser questionado.
E enquanto houver perguntas sem respostas, não haverá silêncio capaz de apagar a indignação de quem viu, acompanhou e sabe o quanto foi entregue naquele palco.
A coroa pode até não estar na minha cabeça.
Mas a história, a entrega e tudo o que foi construído ninguém pode tirar.
E, enquanto houver voz, não será negociado o inegociável.
A verdade.
A transparência.
O respeito.
Obrigada a todos que estão comigo.
A luta por justiça não nasce do ódio.
Nasce da coragem de não aceitar que a verdade seja tratada como inconveniente e falta de respeito.
“Há sonhos que ninguém pode realizar por você. E há princípios que ninguém deveria atropelar.”
Maiane Sobrinho.
Nota oficial da organização do Concurso Rainha do Rodeio

A organização do Concurso Rainha do Rodeio vem a público reafirmar a seriedade, a transparência e a credibilidade de um evento que, há 27 anos, está consolidado como o principal concurso do segmento no Estado do Acre, integrando a programação oficial e a tradição da Expoacre.
O concurso é realizado com o apoio e a parceria do Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (SETE), fortalecendo uma iniciativa que valoriza a cultura, o agronegócio, o empreendedorismo, o turismo e, sobretudo, os sonhos das jovens acreanas que participam dessa importante celebração.
É importante esclarecer que o corpo de jurados é formado por cidadãos idôneos, qualificados e de reconhecida credibilidade, escolhidos para garantir a imparcialidade e a lisura do processo de avaliação. A comissão conta, inclusive, com representação do próprio Governo do Estado, reforçando o compromisso institucional com a seriedade e a transparência do concurso.
A escolha da Rainha do Rodeio é realizada com base em critérios previamente estabelecidos e observados por uma comissão julgadora composta por pessoas aptas a exercer essa responsabilidade, respeitando a autonomia e a independência necessárias ao processo de avaliação.
Ao longo de 27 anos, o concurso construiu uma história de tradição, credibilidade e transformação de vidas. Mais do que uma disputa, o Rainha do Rodeio é uma plataforma de oportunidades, sonhos e representatividade, que movimenta a economia, fortalece a cultura do rodeio e do agronegócio e contribui para a valorização das participantes.
A organização reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e o respeito a todas as candidatas, parceiros, instituições e ao público acreano, mantendo-se aberta ao diálogo e à transparência, sempre com o objetivo de preservar a grandeza e a credibilidade de um dos eventos mais tradicionais do Acre.








