Rio Branco, 3 de julho de 2026.

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Conhecido como “Raimundo do Peixe”, empreendedor aposta no Café Milu e leva produção do Juruá para novos mercados

Segundo Raimundo, o Café Milu recebeu esse nome em homenagem aos netos Miguel e Luísa – Foto Cefas Queiróz

Conhecido em Cruzeiro do Sul como “Raimundo do Peixe”, por sua trajetória de mais de três décadas na piscicultura, o empreendedor Raimundo Carlos de Oliveira vive agora um novo capítulo de sua história. Proprietário da Fazenda Ouro Preto, ele apresentou o Café Milu durante entrevista ao vivo na transmissão do Portal Acre na terceira noite da Expoacre Juruá, e contou como transformou um sonho antigo em um negócio que já começa a conquistar espaço dentro e fora do Acre.

Empresa familiar, o Café Milu recebeu esse nome em homenagem aos netos Miguel e Luísa, segundo ele relatou aos jornalistas Leônidas Badaró e Daigleíne Cavalcante. A marca já negocia a entrada nas gôndolas de supermercados acreanos e prepara, para a próxima semana, o envio da primeira remessa para Manaus, ampliando a presença do café produzido no Vale do Juruá.

Natural de um seringal às margens do rio Juruá, no Amazonas, Raimundo chegou ainda criança a Cruzeiro do Sul. Formado em Agropecuária, dedicou mais de 30 anos à piscicultura, atividade que lhe rendeu reconhecimento na região. Foi justamente a experiência no campo que o levou a buscar um novo caminho para agregar valor à produção local.

“Eu sempre sonhei em encontrar um produto que permitisse à gente continuar morando nesse paraíso, mas que tivesse aceitação lá fora, que fosse competitivo. E agora chegou o café”, afirmou.

Segundo o empreendedor, a decisão de investir na cafeicultura surgiu da convicção de que o Vale do Juruá reúne condições naturais favoráveis para produzir cafés de alta qualidade. Em vez de disputar mercado pelo volume de produção, a estratégia é apostar na excelência do produto, desde o manejo da lavoura até os cuidados na colheita e no pós-colheita.

Na Fazenda Ouro Preto, o café é cultivado com esse objetivo. Em 2025, a produtividade alcançou cerca de 130 sacas por hectare, resultado obtido por uma equipe formada por aproximadamente 40 colaboradores. A produção busca atender um mercado cada vez mais exigente, que valoriza cafés especiais e de origem.

Ao longo da entrevista, Raimundo também fez questão de destacar as potencialidades do Acre. Para ele, o estado reúne condições privilegiadas para produzir alimentos e desenvolver novas atividades econômicas sem perder a qualidade de vida de quem vive na região.

Questionado sobre o segredo do sucesso do Café Milu, respondeu de forma descontraída. Antes de revelar a receita, cantarolou um trecho da música da dupla Zezé Di Camargo & Luciano e resumiu: “O segredo é o amor.”

A estratégia é apostar na excelência do produto, desde o manejo da lavoura até os cuidados na colheita – Foto Cefas Queiróz

A história do Café Milu ilustra um movimento cada vez mais presente no Acre, em que produtores deixam de vender apenas matéria-prima para investir em marcas próprias e produtos de maior valor agregado. Na Expoacre Juruá, esse processo ganha visibilidade ao aproximar empreendedores de consumidores e abrir portas para novos mercados.

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