O avanço do desmatamento dentro de áreas protegidas continua colocando o Acre em posição de destaque negativo na Amazônia. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que quatro unidades de conservação estaduais acreanas figuram entre as dez mais pressionadas da região entre abril e junho de 2026, enquanto a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes aparece como a segunda unidade de conservação federal mais pressionada no mesmo período.
O estudo utiliza dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) para identificar a chamada pressão de desmatamento, indicador que representa a ocorrência efetiva de desmatamento dentro dos limites das áreas protegidas. Diferentemente da “ameaça”, que mede o risco de avanço da devastação no entorno dessas áreas, a pressão aponta que a perda de cobertura florestal já está ocorrendo no interior das unidades.
Entre as unidades de conservação estaduais da Amazônia, a Floresta Estadual do Antimary ocupa a terceira posição no ranking, com dez células de monitoramento registrando pressão de desmatamento. Logo atrás aparecem a Floresta Estadual do Rio Pau, em quarto lugar, e a Floresta Estadual do Rio Liberdade, em sétimo. A Floresta Estadual do Gregório também integra a lista, ocupando a oitava posição.
Nas unidades federais, a situação também preocupa. A Reserva Extrativista Chico Mendes aparece na segunda colocação entre as mais pressionadas da Amazônia, com 20 células registrando desmatamento em seu interior, ficando atrás apenas da Área de Proteção Ambiental do Lago do Tucuruí, no Pará.
O relatório mostra ainda que a Resex Chico Mendes permanece como uma das áreas protegidas mais vulneráveis da Amazônia. Além da pressão registrada dentro de seus limites, a unidade lidera o ranking de ameaça de desmatamento, indicador que mede a ocorrência de novos desmatamentos em uma faixa de até dez quilômetros no entorno da área protegida, sinalizando elevado risco de expansão da devastação para seu interior.
No período analisado, o SAD detectou 797 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia. O levantamento identificou 900 células com ocorrência de desmatamento, número 13% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. Segundo o Imazon, embora a área total desmatada tenha diminuído em relação ao mesmo período do ano anterior, o aumento da quantidade de células indica que o desmatamento ficou mais disperso pelo território amazônico, alcançando diferentes áreas protegidas.









